31 de ago de 2015

E o parto?

Demorei 30 semanas para escrever sobre um dos pilares dessa minha segunda gestação.

Eu me conheço, mas demoro pra nomear as coisas que sinto. Mas quando bate o incomodo, é porque tem coisa que precisa de nome. Talvez a demora em escrever sobre o parto é justamente pela dificuldade de dar nome ao que me incomodava.

Finalmente encontrei e estou aqui. O que me incomoda é o elitismo.
Pode parecer estranho, mas é isso mesmo. O elitismo vem me incomodando e não é de hoje.

Eu já relatei meu parto e as razões que me levaram até ele. Não tenho nenhuma ferida física ou emocional da decisão que tomei. No entanto depois de 4 anos lendo muito sobre isso, eu já havia decidido antes mesmo de engravidar que teria um parto domiciliar.

Meu sonho é parir em casa, perto do meu filho. Não gosto de ambiente hospitalar, tenho até receio de travar meu parto quando chegar ao hospital. Mas não será possível. É financeiramente inviável.

É aí que entra o elitismo, e o ativismo para poucas.

Hoje há sim uma tentativa de retomar aquilo que é natural. Vamos aos fatos: a humanidade nasceu de partos vaginais! Há pouco tempo que o nascimento deixou de ser um evento fisiológico para se tornar um evento médico.

Esse tentativa é digna de aplausos, apesar de ser conduzida de maneira equivocada, ao meu olhar. Não é correto colocar mulheres em duas categorias diferentes: aquelas que pariram e aquelas que não pariram (apesar que considero cesárea como um ato de parir, é preciso coragem para fazer uma cirurgia de grande porte, como é uma cesárea e depois de poucas horas assumir os cuidados da cria). Não se joga mulheres contra mulheres.

Da mesma maneira que não acho correto a indução de cesáreas por médicos através do medo. Bebê grande, que não tem dilatação suficiente, circular no cordão, placenta velha, parto seco e muito  mais.

Pior ainda são aqueles partos ditos normais, que no entanto são partos regados a violência: humilhação física (como 50 mil pessoas diferentes fazendo toque), violência psicológica (o famoso "na hora de fazer não gritou"), manobra de Kristeller (que consiste alguém subir em cima da barriga e empurrar o bebê), episiotomia (o famoso "cortinho") e por aí vai.

A questão é profunda. É lindo a obrigação de um partograma, no entanto como os profissionais farão partos normais respeitosos sem esses absurdos acima, se não foram preparados para tal?

Eu participo de alguns grupos de partos humanizados, que visam dar a mulher conhecimento de causa e empoderamento. E facilmente se lê: quem quer um parto humanizado prioriza e consegue. Naquela velha máxima que é melhor pagar uma equipe do que ir até Miami fazer o enxoval. Percebe a incoerência? Quantas são as gestantes que vão para Miami fazer o enxoval? É aí que está o elitismo.

O movimento de humanização do parto por muito tempo focou em quem pode pagar. É necessário brigar por mudança no SUS, fazer reciclagem desses profissionais pois são eles que atendem a maioria das gestantes. E ainda se torna uma alternativa para as mulheres que são atendidas por convênio terem onde procurar um parto respeitoso.

Temos vários lugares que atendem SUS e que são referencias no atendimento humanizado. Mas  até a página 2. Das 3 casas de parto de São Paulo, todas elas não atendem gestantes com cesárea anterior. No fim se propaga a máxima de que cesárea uma vez é sempre cesárea. Um absurdo.

Resta então poucas opções:

- Sorte de encontrar um médico que respeite suas escolhas. Geralmente descobre-se se é verdade somente no final, quando a pressão por agendar o parto acontece.
- Contratar uma equipe humanizada e para isso você terá que: deixar de ir pra Miami (hahaha) ou vender o carro ou fazer uma rifa na internet.
- Sorte nº2 de ter em sua cidade uma das poucos unidades do SUS que tem atendimento humanizado e não ter cesárea anterior.

No meu caso estou contando com a sorte número 1: ter um profissional que verdadeiramente respeite minhas decisões. Saberei somente no final se assim será. No entanto temos o plano:

- Um plano de parto bem claro e estruturado. O próprio médico pediu que eu fizesse. Rodrigo terá de decorar.
- Vamos protocolar no hospital meu plano de parto.
- Preparo powerfull do marido. Ele será o garantidor das minhas vontades.
- Escolhemos o hospital que tem mais estrutura para parto normal
- Só vou internar a partir de 7 cm de dilatação, nem que eu tenha que assinar qualquer termo pra ser liberada. Ainda estou estudando se vamos ao hospital monitorar a dilatação ou se vamos pagar consulta para alguma parteira vir em casa pra verificar dilatação e coração do bebê (a consulta é bem mais barata que o acompanhamento do parto e tem duração de 1 hora).
- A doula iríamos contratar, fui conhecer e tudo. No entanto por questões financeiras não iremos fechar. Já estou vendo a preparação do marido pra ser meu "doulo". Ele vai aprender as técnicas de massagem e tudo.
- Começo os exercícios do períneo para evitar laceração na semana 35. É uma massagem no local além de exercícios específicos de agachamento. Marido será responsável pelas massagens.

Dr. André sempre me diz que o parto é meu. Não é contra parto normal depois de cesárea e isso já faz dele muito mais atualizado que muita gente aí. No entanto tem uma restrição, não faz parto pélvico, esse é o limite dele.

Se Giuseppe estiver pélvico? Vou atrás de uma versão cefálica externa, que pode ser feita a partir de 37 semanas. Se mesmo assim não resolver, aí eu vejo que faremos. O importante é que temos as regras claras.

Confesso que tenho até preguiça de pensar que terei que brigar para parir. No entanto na hora tenho certeza que vou tirar forças internas pra ter minha vontade respeitada. Rodrigo é bom de briga, isso já me ajuda.

Até onde eu vou na imposição do meu parto normal? Até onde EU estiver segura e confortável. Não é porque a enfermeira obstétrica do hospital estiver me dizendo que preciso parar de me movimentar que eu vou parar, entende? Ou que me digam que tem mecônio e eu preciso ir pra cesárea se estou confortável em segurar mais 2 ou 3 horas monitorando o bebê. Ou ainda que preciso de ocitocina porque minha dilatação não evoluiu na ultima hora de trabalho de parto. Enquanto eu estiver confortável e segura, seguirei.

Claro que conto com a ajuda do meu amado Pai que através do seu Espírito Santo irá me guiar. O mesmo que me fez escutar o pulsar do cordão do meu filho mesmo antes de ter confirmado, irá me auxiliar.

E se eu precisar de uma cesárea, por conta de uma desproporção céfalo-pélvica (quando a cabeça do bebê é grande demais para a passagem da bacia da mãe - detalhe, só é possível diagnosticar isso quando a mulher está com dilatação total, assim é mandatório que se tenha o trabalho de parto pra diagnosticar) eu farei, sem dor no coração.

Duas coisas não farei:

  •  uma cesárea eletiva. Dessa vez eu entro em trabalho de parto e meu corpo vai ter que trabalhar.
  • Indução de parto antes de 41 semanas. Nem mesmo deslocamento da membrana.
É isso. Quando terminado eu vou compartilhar aqui meu plano de parto. E volto também para linkar algumas informações sobre o períneo e como estamos indo nesse caso.

Deus abençoe.

21 de ago de 2015

Sensibilidade Seletiva

Eu sou uma pessoa que procura sempre respeitar a opinião dos outros, por mais que a opinião é diferente da minha. Isso porque sigo alguns princípios, dentre os quais: fazer aos outros aquilo que eu quero que faça pra mim e que as pessoas partem de contexto de vida diferentes. Esse ultimo aprendi mais profundamente na faculdade, com a melhor professora de sociologia que eu poderia ter.

Com isso em mãos eu não deixo de posicionar sempre que posso. Mas respeitando as regras de convivência, sempre.

Eu tive que me ausentar do face por uns tempos, devido a discussão da redução da maioridade penal, que eu sou absolutamente contra por motivos da minha crença, da minha fé, de princípios históricos e psicológicos. Não vou entrar no mérito de cada um, pois o post não é sobre isso. Eu fiquei afastada do face por razões de intensidade. Ler muitas coisas estava me fazendo muito mal, a gravidez deixa minha habitual intensidade acirrada.

Aí que algo aconteceu essa semana, e eu tive que vir aqui fazer minha terapia, afinal tudo tem ligação.

Eu trabalho bem pertinho da Av Paulista, mas pouco vou até ela (exceto pelo meu caminho obrigatório no começo e no fim do dia). É um lugar muito cheio de gente, e eu não sou dada a muvucas.

Pois bem que estava eu terminando de atravessar a avenida no horário do almoço (precisava ir ao banco que só tem lá) e bem em frente tinha uma banca de jornal. Ao lado da banca havia um morador de rua dormindo abraçado com seu cachorro. Bem abraçado mesmo. E os dois dormiam placidamente. Então me vem um cara todo engravatado, tira o celular do bolso do paletó e começa a tirar fotos.

Tive um reverterio. Um misto de revolta com estômago enjoado, sabe?!? Até minha pressão desejou dar uma caidinha.

Aí você pode me perguntar, que raio de problema tem a pessoa tirar foto de um momento tão amável entre um homem e seu cachorrinho?

O problema está na sensibilidade seletiva. Teria esse executivo olhado para o lado se esse morador de rua estivesse sozinho? Quantos e quantos temos na rua que sequer são vistos? Eles normalmente são reparados quando nos incomodam, ao pedir uma ajuda no semáforo. Eles são percebidos quando causam incômodo, não pela sua situação de vida.

Será esse morador de rua mais humano e digno de atenção somente pelo apego ao seu bichinho? A sensibilidade daquele homem que fotografou foi completamente seletiva.

A sensibilidade da população em geral é contra aquilo que a ataca, única e exclusivamente. Contra aquilo que acredita.

Eu mesma sofro demais ao ver pedintes na rua com crianças.  Eu sofreria menos ao ignorar, mas não consigo.

Escutei hoje de alguém que veio ao mundo pra mudar e seguir seu caminho, não para mudar o mundo. Acredito mesmo que a mudança começa em nós, no entanto discordo absolutamente que não podemos mudar o mundo. O que seria de nós se os apóstolos de Cristo pensassem assim, eu jamais seria tocada por aquilo que mudou minha vida: o amor de Cristo.

Meu mundo é aquilo que vivo diariamente. Os lugares que eu frequento, as pessoas que convívio, meus filhos que absorvem exatamente o que eu e marido somos. Mas não posso deixar de lutar pelo outro, aquele que por inúmeras razões não tiveram a mesma estrutura familiar que eu, o mesmo compromisso e a mesmas oportunidades.

Que a sensibilidade nunca nos deixe e que a seletividade nunca nos acometa.

17 de ago de 2015

Update Segundinho: Terceiro Tri

Mais um marco, a chegada do último tri. Trimestre esse que na verdade pode durar 9 semanas (se nascer com 37) ou 14 semanas (se nascer com 42), mais elástico impossível :-))
Completamos 28 semanas de Giuseppe no forninho, como meu médico já considera o último tri, entrei no embalo dele hahaha.

Por aqui estamos bem. Com os perrengues devidamente controlados, mas com um cansaço pouco habitual. Falta de coragem me resume, tenho que tirar forças das mais profundas entranhas para conseguir fazer algo doméstico.

Tivemos semana passada pré natal. Vou fazer os exames de sangue (dentre eles a curva glicêmica) e nos deu um pedido de ultrasson, mas sem finalidade clinica. Só recreação mesmo. Ainda não sei se farei.

Pressão super baixa, hoje mesmo pela manhã passei um pouco de indisposição no escritório por isso. Altura uterina de acordo com a idade gestacional e peso até agora 4,5kgs. Pra 28 semanas estou considerando ótimo e sem me privar das coisas que gosto (exceto comida japonesa, que é só uma vez por mês, ou não teremos dinheiro pra viver devido a fortuna que custa).

Gianlucca está super bem, interagindo com o irmão que é uma Lindeza. Mas ele ainda não sentiu chutar, pois ele não tem paciência de esperar com a mão na barriga. Giuseppe é dado ao agito, dá cambalhotas. A noite até acordo com ele indo de um lado para o outro e chutando.

Eu volto muito  breve com o assunto parto e enxoval. Além de considerações sobre educação infantil levado a potencia máxima no quesito teste de paciência.

Deus abençoe.