26 de out de 2015

Sobre Períneo e a minha preparação

Esse é o meu post número 100. Nunca imaginei que teria tanto para escrever e nem que o post 100 seria sobre integridade física da periquita hahahahah

Bom, vamos lá.

Períneo é a região que compreende a vagina e o ânus e ele é um conjunto de músculos. Por se tratar de músculo ele precisa ser trabalho como qualquer outro, mas bem na verdade ele passou a existir pra mim depois que entrei em contato com o mundo do parto normal.

Eu entrei nessa gestação disposta a manter a integridade do meu períneo. Porque o que mais me assusta não é o parto ter muitas horas ou depois de tentar muito terminar em uma cesárea. O que sempre me assustou foi passar por uma episiotomia. Tanto que a troca de médico ocorreu exatamente nesse ponto.

E porque temo tanto uma episio? Por que não é natural. É um procedimento que OMS recomenda em somente em 10% dos casos, mas aqui no Brasil é feito como padrão, ou seja, precisando ou não você terá. E eu não quero nada além daquilo que eu preciso mesmo.

É fácil encontrar casos que se assemelham a mutilação. Isso porque muitas vezes a episio não fica nunca mais como antes. Existem mulheres que sentem dor ao ter relação sexual pra sempre. Ou seja, não é um simples cortinho, é algo que pode impactar a vida pra sempre.

Aqui tem uma imagem de episio pra entender um pouco. Com isso a vagina deixa de ser anatômica:

http://adeledoula.blogspot.com.br/2013/06/tabus-do-parto-os-maiores-medos-que-as.html

A preparação do períneo se dá pelo exercício de estiramento da musculatura e também uso do aparelho EPI-NO.

Aqui em casa estamos com a massagem desde semana 35, e quem faz é marido. Não consigo fazer sozinha. Segue um link com a explicação:

https://corpuscare.wordpress.com/2011/11/24/massagem-perineal/

Marido diz que nunca conheceu anatomicamente uma vagina como agora :-)) Tá todo mundo aprendendo e se tornando cúmplices de um parto. E não dá pra ter vergonha do marido né não?

Também estamos usando EPI-NO desde dia 15/10 e como foi difícil achar. Pra comprar é muito caro, então tive que bater perna na internet pra achar. Acabei achando em São Paulo e alugamos por R$ 170,00 já com 30 preservativos sem lubrificantes por um período de 30 dias. Precisa usar com preservativo por questões de higiene mesmo, e precisa comprar um lubrificante a base de água pra colocar por fora e ajudar no momento.

*imagem da internet


Eu não passei com a fisioterapeuta pra me instruir, fui na boa e salvadora internet, mas sofri até me ajustar. Isso porque a grana está curta, mas eu realmente recomendo uma avaliação e instrução com uma fisioterapeuta, até pra ver como é o seu períneo.

A ideia do aparelho é simular o diametro de uma cabeça de bebê e o período do expulsivo. Mas isso gradativamente, para preparar a musculatura e evitar a episio e a laceração.

*imagem da internet


E como estamos por aqui?

Na massagem sinto o estiramento da musculatura e é tranquilo suportar.

Já no EPI-NO sofremos no começo. Eu deitava na cama e em posição ginecológica inseria o balão e segurava. Marido ia devagar inflando. Era uma dor terrível, mas não como estiramento, eu sentia uma dor na parte de cima da vagina e não consegui segurar o balão nem por 30 segundos dentro de mim. Além disso conseguia chegar em 10/12 cm no máximo.

Falei então com a Marina que me recomendou a consulta com a fisioterapeuta e que o que importa mesmo é a consciência corporal, muito mais que os centímetros.

Mudei a posição, agora faço de cócoras na cama e estamos indo muito melhor. Aquela dor louca já não sinto mais, mas sinto uma pressão gigante no ânus, até porque tenho hemorroida adquirida nessa gestação.  Não sei se chegaremos em 35 cm como é minha meta, mas OK, vamos caminhando de pouco.

Novo médico avaliou meu períneo (olha a diferença minha gente!) e disse aquilo que eu já estava meio que percebendo, meu períneo é curto e está muito mais curto devido a hemorroida. Indicou um parto com anestesia, pois com isso eu relaxo devido a bendita que me acometeu. Sério gente, é uma dor que nunca tinha sentido na vida. Chego a acordar com dor.

Por mim tudo bem, nunca deixei de lado a possibilidade de anestesia e até falei para marido que iria querer, e ele na hora me disse: não vai ser totalmente natural! Não mesmo, mas mais do que 100% natural o que quero mesmo é 100% respeitoso.

Espero que tenha ajudado com as informações, mas na internet tem muita informação de excelente qualidade. Eu recomendo a busca!

Beijos.







12 de out de 2015

Update Segundinho: 36 semanas + mudança de médico

Enfim chegamos as 36 semanas. Daqui uma semana Giuseppe pode chegar a qualquer momento, apesar de esperarmos ele para Novembro (dia 09/11 com 40 semanas). Mas pode  passar disso também, ele pode vir até dia 23/11 (com 42 semanas).

Por enquanto estou tranquila, apesar de querer meu bebê no colo e ainda achar que o tempo passa devagar. Contraditório, mas verdadeiro.

Estamos caminhando bem. Ainda estou trabalhando, surpreendentemente! Já bati meu recorde, pois na gestação do bambino parei de trabalhar com 35 semanas, não aguentava mais ir e vir todos os dias. Ainda trabalho mais uma semana, com certeza, mas vou tentar mais duas.

A pessoa que contrataram para cobrir minha licença chegou somente no final de Setembro, fechamento trimestral, estou quase louca pra dar conta de fechar o trimestre e ainda treinar a pessoa. Muito stress, que tem me consumido bastante.

Como se não bastasse isso no trabalho, aquilo que estava sentindo havia algum tempo se concretizou, tive que trocar de médico. Isso me custou 3 dias de muita angústia, 2 noites de sono completamente perdidas e mais 2 aftas.

Havia algum tempo que eu saía da consulta com a sensação de resistência nos assuntos relacionados ao parto, apesar de sempre escutar (mais de uma vez por consulta) que o parto era meu e que minhas vontades seriam respeitadas. Comentava sempre com o marido sobre essa sensação, e ele sempre me dizia que acredita que seria mesmo respeitado, pois isso era sempre enfatizado.

Até que chegou a última consulta e eu toquei no assunto que mais me incomodava: episiotomia. Era o que faltava pra ter a certeza que na verdade minhas vontades eram secundárias.

Enquanto eu escutava coisas como "eu protejo bebê de mãe louca" a única coisa que eu conseguia pensar era: "não estou acreditando que isso está acontecendo em plena semana 35 de gestação". Saímos de lá perplexos, sem reação tamanha foi a mudança de postura.

Chegando em casa deitei no sofá, me sentia completamente devastada. Contava com a sorte de ter encontrado alguém que iria mesmo respeitar meu protagonismo, que até então sempre me dizia que iria sim, agora o que eu faria? A angústia era tamanha que sentia meus ombros pesados, uma vontade de chorar, de sumir.

Meu marido me disse que eu deveria ter mostrado a ele todos os dados científicos sobre episio e sua não recomendação, afinal eu tenho lido sobre tudo o que relaciona a parto há mais de 4 anos. Sim, não sou médica (e isso foi me jogado na cara de maneira sutil também), mas nenhum conhecimento merece ser desconsiderado, até porque as minhas fontes de leitura são de alta qualidade. Acontece que brigar, pra mim, nunca foi na verdade uma opção. Me sobraria então duas possibilidades: aceitar que não seria da maneira que havíamos conversado e me submeter ou trocar de médico.

Comecei então uma busca insana. Muitas e muitas mensagens, nova verificação dos preços e disponibilidade de médicos humanizados, maneiras de garantir minhas vontades com o médico que eu já não tinha mais vínculo e confiança plena, ir para o plantão e tentar fazer meu plano de plano valer, o que faria? Rodrigo leu tanto sobre episio nos últimos dias que está sabendo mais do que eu. 

Enfim a doula (com quem infelizmente não vou conseguir fechar) me ajudou demais. Não sei o que teria sido sem ela me ajudando. Me indicou um médico e fomos em pleno sábado a noite falar com ele. Fechamos, com a esperança que o convênio reembolse tudo, ou até 90% do valor.

Acordei no domingo, depois do assunto resolvido (ou parcialmente, estamos esperando os valores de reembolso) com uma cólica louca. Tomei 40 gotas de buscopan mesmo antes de sair da cama e quando melhorou fui lavar as roupas do pequeno. Sim, ainda nem tinha começado :-))

Agora se ele vier, já tem roupa limpa pra vestir.

E vamos caminhando. Preciso só formalizar ao médico que não iremos mais continuar com ele, e ao que tudo indica será por escrito. Não quero mais me estressar com isso.

E segue uma foto do meu barrigão administrando bambino no parquinho, porque quando se tem um mais velho, não importa quantas semanas temos. Eu bem que queria um dia de pernas por ar :-))



Inté mais.