Eu compartilho cama com os meus filhos. Isso surgiu ainda com Gianlucca, na necessidade física de descanso.
Gianlucca era um bebê (e depois uma criança) que pouco dormia. Negócio dele era sentir que alguém estava perto dele, presente. Ele é alguém que precisa de presença, é grudento. Eu amo (apesar de alguns momentos querer um pouco de individualidade, confesso).
Já deixei ele chorando no berço pra ver se dormia (e hoje sinto um enorme pesar por ter praticado isso com ele), acontece que quanto eu mais tentava, mais dava errado. Tem crianças que dormem bem sozinhas, outras não. Ele era (e é) do grupo que não. Sempre me apego ao fato que ele vai chegar na adolescência (em breve meu Jesus Cristinho) e não vai querer mais a mãe grudada nele.
Então que dado todo o trauma adquirido com Gianlucca, veio Giuseppe. Eu sempre pensei, e falei pra todo mundo, que eu já não dormia para um, dormir para dois seria moleza já que eu estaria acordada mesmo. No entanto fui decidida a compartilhar cama com Giuseppe.
Montei o berço do Gianlucca, comprei um colchão novo, no entanto em 12 meses Giuseppe nunca dormiu lá. Desde que saiu da barriga dorme comigo.
Isso facilitou (e ainda facilita) a amamentação. Não raro durmo com os peitos com fácil acesso, ali mesmo ele mama e ali mesmo ele larga, e eu continuo com a vida normal, pois no outro dia eu vou levantar antes das 5 da manhã. Apesar de ter grandes benefícios para ele, a cama compartilhada é pra mim vida. Eu preciso dormir e faço enquanto ele mama.
Eu super recomendo a cama compartilhada, mas ela precisa de algumas ações:
1 - Você precisa querer, não é algo que você fique brigando contra. Ou se entrega, ou não rola.
2 - Seu companheiro precisa estar nessa mesma vibe, afinal a cama é dos dois.
3 - você precisa adaptar a cama, pra evitar acidentes. Aqui em casa eu encostei a cama na parede, é esse lado que ele dorme.
A pergunta que não quer calar, e como fica a intimidade do casal? A verdade é que querem dizer, como fica a vida sexual, né não? Olha, a frequencia de relação sexual com um bebê em casa já é bem reduzida, devido os hormônios e o cansaço. Não é o lugar em si que diminui a frequência. Por aqui continuamos a fazer sexo, mas não na cama, é só se reinventar.
No mais, seguimos firmes e fortes com todo mundo dormindo amontoado, mais ou menos assim:
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22 de nov. de 2016
19 de jan. de 2016
Quando o costume fala mais alto que os fatos
Feliz 2016!!!
Eu tenho um monte de post no rascunho, que não tenho conseguido terminar e não planejava iniciar o ano no blog com um post da seção "blogterapia" mas vamos lá.
Passei aquele perrengue todo com a amamentação e por convicção minha e do marido não fizemos complementação. Seria mais fácil deixar de dar o peito e esperar sarar?? Claro!
Mas teríamos um processo doloroso de relactacao. Até porque ele teria que reaprender a pega, o que poderia levar meu peito a machucar novamente e eu teria que deixar ele com fome, pra ter incentivo de sugar o peito novamente. Aqui em casa isso era fora de cogitação.
Mas tudo o que escutei durante esses dias de batalha foi: dá logo mamadeira para esse menino!
Apenas duas pessoas não me disseram isso: marido e meu pai. De maneira surpreendente meu pai me dizia que Giuseppe precisava do meu leite, isso enquanto eu estava chorando e urrando de dor.
Passado essa fase achei que pararia que ouvir a indicação da mamadeira. Que engano!!
Giuseppe é um bebê que mama bastante. Mas além disso ele fica chupetando muito! Do meu dia eu passo 80% dele com Giuseppe no peito.
Todo mundo que vê ele dispara: nossa que menino grande e gordinho! Mas depois de ficar 1 hora conosco já vai me indicando mamadeira.
Gente que contra senso!!! Acabou de elogiar o rapaz e em seguida indica mamadeira?
Ele está super saudável! Em 26 dias cresceu 8cm e engordou 1.900kg. Uma delicia de carregar, é um bebê consistente! Só com leite materno!
Com isso já passei por dois estágios. O primeiro era de chateação, com esse tanto de leite que tenho me dizer pra dar mamadeira?!?! (se ele diminuir o consumo ele empedra!! Já tive febre por isso depois que passou o caos).
Aí depois entrei na fase de indignação. Das duas uma: ou o povo está por demais doutrinado que não consegue perceber o pecado que é insistir na mamadeira para um bebê que engorda e cresce bem ou realmente temos um problema que pra mim é social, o povo não consegue ver uma criança no peito!
Dias desses dentro da minha casa fui convidada a ir pra outro cômodo da casa porque estava amamentando. Claro que de maneira sutil, mas aquela historia, pra bom entendedor...
Fiquei p* da vida. Só pra constar.
Todos me dizem que ele vai sofrer quando eu voltar a trabalhar. Eu não descartei a mamadeira, mas ainda não decidi como farei. Por enquanto nada de plásticos na boca do Giuseppe.
Bjs!
Eu tenho um monte de post no rascunho, que não tenho conseguido terminar e não planejava iniciar o ano no blog com um post da seção "blogterapia" mas vamos lá.
Passei aquele perrengue todo com a amamentação e por convicção minha e do marido não fizemos complementação. Seria mais fácil deixar de dar o peito e esperar sarar?? Claro!
Mas teríamos um processo doloroso de relactacao. Até porque ele teria que reaprender a pega, o que poderia levar meu peito a machucar novamente e eu teria que deixar ele com fome, pra ter incentivo de sugar o peito novamente. Aqui em casa isso era fora de cogitação.
Mas tudo o que escutei durante esses dias de batalha foi: dá logo mamadeira para esse menino!
Apenas duas pessoas não me disseram isso: marido e meu pai. De maneira surpreendente meu pai me dizia que Giuseppe precisava do meu leite, isso enquanto eu estava chorando e urrando de dor.
Passado essa fase achei que pararia que ouvir a indicação da mamadeira. Que engano!!
Giuseppe é um bebê que mama bastante. Mas além disso ele fica chupetando muito! Do meu dia eu passo 80% dele com Giuseppe no peito.
Todo mundo que vê ele dispara: nossa que menino grande e gordinho! Mas depois de ficar 1 hora conosco já vai me indicando mamadeira.
Gente que contra senso!!! Acabou de elogiar o rapaz e em seguida indica mamadeira?
Ele está super saudável! Em 26 dias cresceu 8cm e engordou 1.900kg. Uma delicia de carregar, é um bebê consistente! Só com leite materno!
Com isso já passei por dois estágios. O primeiro era de chateação, com esse tanto de leite que tenho me dizer pra dar mamadeira?!?! (se ele diminuir o consumo ele empedra!! Já tive febre por isso depois que passou o caos).
Aí depois entrei na fase de indignação. Das duas uma: ou o povo está por demais doutrinado que não consegue perceber o pecado que é insistir na mamadeira para um bebê que engorda e cresce bem ou realmente temos um problema que pra mim é social, o povo não consegue ver uma criança no peito!
Dias desses dentro da minha casa fui convidada a ir pra outro cômodo da casa porque estava amamentando. Claro que de maneira sutil, mas aquela historia, pra bom entendedor...
Fiquei p* da vida. Só pra constar.
Todos me dizem que ele vai sofrer quando eu voltar a trabalhar. Eu não descartei a mamadeira, mas ainda não decidi como farei. Por enquanto nada de plásticos na boca do Giuseppe.
Bjs!
12 de dez. de 2015
Caos vindo de onde menos se espera - A saga da amamentação
Eu amamentei Gianlucca até os 8 meses. Eu saí do hospital com a indicação de complemento e a indicação da concha plástica (a qual usei durante um mês todinho e me foi muito útil, apesar de ter relatos de infecção e não indicação de uso).
Não tivemos problema de pega, nem fissuras e nem nada. Claro que meu mamilo doía, pois sempre tive sensibilidade nas mamas. Mas algo suportável, não estava machucado.
Aí que segundinho foi encomendado e dentre os planos era amamentar exclusivamente até 6 meses e continuar até os dois anos pelo menos.
Veja bem, não sou contra complemento. Eu complementei o Gianlucca em diversas vezes. A questão aqui é escolha de amamentar exclusivamente, não de julgamento a quem complementa. Até porque cada um sabe do seu limite, do seu caminho e das suas escolhas.
Durante a gestação meu seio não cresceu absolutamente nada. Diferente da gestação do Gianlucca onde os primeiros que foram embora foram meus sutiens pois ficaram pequenos. Eu até tinha preocupação se teria leite.
Aí Giuseppe nasceu mamando. Muito!! E ele mama muito mesmo. Gianlucca nos primeiros 15 dias eu precisava acordar pra mamar. Giuseppe não. Eu preciso orar a Deus e pedir que ele durma um pouco, pra dar sossego para meu peito.
Eu saí do hospital com a mama direita machucada. Isso porque ele Mamou muito nela enquanto eu estava deitada. E machucou. Mas completamente suportável.
Saímos da maternidade na quinta a noite. No sábado a noite Gianlucca não aceitava que Rodrigo colocasse ele pra dormir, Giuseppe chorava querendo peito (que tinha saído não fazia nem 5 minutos) r Gianlucca começando com choradeira também. Ou seja, caos se instalando.
Fui até a gaveta e peguei a chupeta. Foram 30 minutos de chupeta até que Gianlucca dormisse. Foi a pior besteira de todos os meus 30 anos!! Eu nunca deveria ter feito isso!
Giuseppe perdeu a pega da mamada. Com 30 minutos de chupeta a pega se foi.
A noite do dia 14 para o dia 15 foi a pior de todas. No outro dia levantamos com o macacão dele branco todo trabalhado no sangue. Ele detonou os meus mamilos, principalmente o direito que já estava machucado.
Mesmo doendo continuei amamentando. Minhas mamas estavam abarrotadas de leite, enormes e duras (túrgidas como dizem). O sutien de amamentação apertando demais. E cada vez mais difícil de dar mamar.
Na terça, dia 17, tivemos consulta com a pediatra. Minha mama direita já estava bem vermelha. Médica disse que iria me indicar uma consultora de amamentação, pediu pra amamentar Giuseppe na posição sentado (cavalinho) pra ajudar no ajuste da pega.
Nesse dia a noite comecei a ter febre. E aí o negocio ficou feio. A febre vinha a cada 4 horas, o remédio não fazia efeito por muito tempo. Avisei o obstetra que estava tendo febre e ele me passou um outro remédio.
Desde essa noite passei a urrar de dor ao amamentar. Chorava como nunca chorei na vida. Mas dava o peito mesmo assim.
No dia 18, quarta, falei com a consultora de amamentação, e na quinta dia 19 fomos ver ela. Ajustamos a pega, me recomendou a tirar o sutien de amamentação pois estava empedrando leite nas costuras do sutien (recomendou o uso de um top) e não me deixou passar nada no seio (estava passando aquela pomada de lanolina) pois os dutos estavam entupidos. Diagnostico era rachadura de quarto grau ( a boa noticia foi que era o pior grau, não poderia piorar mais). Receitou antiinflamatório a cada 6 horas. Saí de lá com a perspectiva de estar melhor em uma semana.
A noite do dia 19 para 20 foi a pior que tive. Mama com mastite, empedrada, rachada e com os dutos entupidos (ele mamava pouco mesmo na mama direita, logo soltava e queria novamente e eu quase morria pra colocar novamente).
Não era nem 7 da manhã do dia 20 o Rodrigo ligou para a consultora. A febre batia em 40 graus e a cada 2 horas. Pediatra e obstetra já estavam muito preocupados. A consultora recomendou a ida até hospital para ver. Obstetra me ligou e pediu pra que eles olhassem a cesárea, se estava tudo bem (a febre poderia estar vindo daí).
Chegamos ao hospital (eu, Rodrigo e Giuseppe) e fomos para a maternidade (não foi o hospital onde ele nasceu). A consultora já havia ligado dizendo que iríamos e a enfermeira obstétrica me aguardava.
Coloquei a camisola do hospital, fui para o pré parto e me colocaram no soro com medicação. A enfermeira então veio e colocou uma compressa fria (estava fazendo quente em casa, ela disse que nesses casos é melhor fria). Já na compressa meu peito começou a pingar bastante.
Uns 30 minutos depois ela veio ordenhar a mama direita. A esquerda já estava mole, com produção regulada. A ordenha foi manual. E o leite jorrava, de tanto que ela apertava. Foi muito difícil, muito. Me dá angustia só de escrever.
Depois da ordenha tive febre só mais duas vezes e depois não mais. Mas em casa continuamos a amamentar e fazer ordenha nessa mama. Eu não conseguia, Rodrigo que fazia a ordenha manual.
Continuei chorando na hora da pega. Eu precisava de muita coragem pra colocar ele no meu peito naquele estado. Mas continuei firme amamentando.
No sábado, dia 21, já desesperada com a dor mandei mensagem pra pediatra perguntando se eu só ordenasse a mam direita por uns dias e desse na colher, se a minha produção seria prejudicada, se ele perderia o peito. Ela disse que não. E assim fiz por 2 dias. Suspendi a amamentação da mama direita, mas tirava e dava pra ele. E assim fiz até segunda dia 23. Continuei amamentando na esquerda normalmente, já estava suportável a dor.
No dia 23 tivemos consulta com a pediatra. Ele havia engordado somente 80 gramas naquela semana. Na hora que vi fiquei feliz, com tudo aquilo me acontecendo eu consegui amamentar e ainda engordar um pouco o pequeno! Mas a pediatra achou pouco, e isso me desanimou muito. A mama direita ainda estava um pouco empedrada e a pediatra disse que eu teria que ordenhar umas 10 vezes por dia, ou logo iria piorar novamente.
Acontece que eu levava pelo menos 1 hora pra tirar cerca de 50ml de leite. Ordenhar 10 vezes ao dia significaria então ficar 10 horas só nisso. Impossível.
Chegando em casa Rodrigo foi buscar Gianlucca na escola, e eu decidi que era hora de voltar ele para o peito direito e evitar que empedrasse novamente. Nossa, como foi difícil colocar ele no peito novamente! Fiz com a pega invertida e consegui (mas levei bem uns 20 minutos pra tal proeza).
No dia 24 tive retorno com a consultora e cheguei lá com vontade de chorar. Ela me perguntou o que eu via quando olhava para Giuseppe. Respondi que via ele bem, forte, vigoroso. Então ela me disse "peso na balança é o que menos importa agora, precisamos que você fique bem". Saí de lá muito melhor, o que é o acolhimento!!
Hoje, com 31 dias de nascimento, o saldo é:
- mama direita ainda ferida. A rachadura ainda está aqui e uma parte de cima da mama ainda está ferida. Sem empedramento, sem mastite.
- mama esquerda sem dor alguma. Só quando ele está com cólica e puxa hahah.
- já não choro mais pra amamentar, mas ainda tenho dor na direita. Mas não preciso de coragem para dar pra ele. Vou e coloco na boca e ponto.
- tomei 6 caixas de anti inflamatório.
- estou usando uma pomada cicatrizando na mama direita há 5 dias. Visualmente está melhor, apesar da dor.
- oro a Deus para chegar o dia que não sentirei nenhuma dorzinha.
- estamos aqui, sem complementar. E com 20 dias ele tinha engordado mais de 500 gramas.
- escrevendo tudo isso nem sei como consegui passar por tudo. Deus me fez forte.
- enquanto amamentava orava a Deus pedindo cura e ajuda. Afinal estava alimentando meu filho.
- não foi fácil, mas tem valido a pena.
Meu conselho pra quem vai amamentar:
- tome sol nas mamas, antes de nascer de preferência e após cada mamada. Ajuda demais!
- não saia do hospital sem a certeza que a pega está correta. Melhor ser chata lá do que machucar, é bem demorado pra sarar, já que o bebê vai ficar sugando.
- não dê chuepta, pelo amor de Deus e amor aos seus mamilos. Mamadeira então, nem sonhando!
- vai dar tudo certo. Confia em você e na capacidade que Deus te deu como mãe. Você consegue.
Bjs
Não tivemos problema de pega, nem fissuras e nem nada. Claro que meu mamilo doía, pois sempre tive sensibilidade nas mamas. Mas algo suportável, não estava machucado.
Aí que segundinho foi encomendado e dentre os planos era amamentar exclusivamente até 6 meses e continuar até os dois anos pelo menos.
Veja bem, não sou contra complemento. Eu complementei o Gianlucca em diversas vezes. A questão aqui é escolha de amamentar exclusivamente, não de julgamento a quem complementa. Até porque cada um sabe do seu limite, do seu caminho e das suas escolhas.
Durante a gestação meu seio não cresceu absolutamente nada. Diferente da gestação do Gianlucca onde os primeiros que foram embora foram meus sutiens pois ficaram pequenos. Eu até tinha preocupação se teria leite.
Aí Giuseppe nasceu mamando. Muito!! E ele mama muito mesmo. Gianlucca nos primeiros 15 dias eu precisava acordar pra mamar. Giuseppe não. Eu preciso orar a Deus e pedir que ele durma um pouco, pra dar sossego para meu peito.
Eu saí do hospital com a mama direita machucada. Isso porque ele Mamou muito nela enquanto eu estava deitada. E machucou. Mas completamente suportável.
Saímos da maternidade na quinta a noite. No sábado a noite Gianlucca não aceitava que Rodrigo colocasse ele pra dormir, Giuseppe chorava querendo peito (que tinha saído não fazia nem 5 minutos) r Gianlucca começando com choradeira também. Ou seja, caos se instalando.
Fui até a gaveta e peguei a chupeta. Foram 30 minutos de chupeta até que Gianlucca dormisse. Foi a pior besteira de todos os meus 30 anos!! Eu nunca deveria ter feito isso!
Giuseppe perdeu a pega da mamada. Com 30 minutos de chupeta a pega se foi.
A noite do dia 14 para o dia 15 foi a pior de todas. No outro dia levantamos com o macacão dele branco todo trabalhado no sangue. Ele detonou os meus mamilos, principalmente o direito que já estava machucado.
Mesmo doendo continuei amamentando. Minhas mamas estavam abarrotadas de leite, enormes e duras (túrgidas como dizem). O sutien de amamentação apertando demais. E cada vez mais difícil de dar mamar.
Na terça, dia 17, tivemos consulta com a pediatra. Minha mama direita já estava bem vermelha. Médica disse que iria me indicar uma consultora de amamentação, pediu pra amamentar Giuseppe na posição sentado (cavalinho) pra ajudar no ajuste da pega.
Nesse dia a noite comecei a ter febre. E aí o negocio ficou feio. A febre vinha a cada 4 horas, o remédio não fazia efeito por muito tempo. Avisei o obstetra que estava tendo febre e ele me passou um outro remédio.
Desde essa noite passei a urrar de dor ao amamentar. Chorava como nunca chorei na vida. Mas dava o peito mesmo assim.
No dia 18, quarta, falei com a consultora de amamentação, e na quinta dia 19 fomos ver ela. Ajustamos a pega, me recomendou a tirar o sutien de amamentação pois estava empedrando leite nas costuras do sutien (recomendou o uso de um top) e não me deixou passar nada no seio (estava passando aquela pomada de lanolina) pois os dutos estavam entupidos. Diagnostico era rachadura de quarto grau ( a boa noticia foi que era o pior grau, não poderia piorar mais). Receitou antiinflamatório a cada 6 horas. Saí de lá com a perspectiva de estar melhor em uma semana.
A noite do dia 19 para 20 foi a pior que tive. Mama com mastite, empedrada, rachada e com os dutos entupidos (ele mamava pouco mesmo na mama direita, logo soltava e queria novamente e eu quase morria pra colocar novamente).
Não era nem 7 da manhã do dia 20 o Rodrigo ligou para a consultora. A febre batia em 40 graus e a cada 2 horas. Pediatra e obstetra já estavam muito preocupados. A consultora recomendou a ida até hospital para ver. Obstetra me ligou e pediu pra que eles olhassem a cesárea, se estava tudo bem (a febre poderia estar vindo daí).
Chegamos ao hospital (eu, Rodrigo e Giuseppe) e fomos para a maternidade (não foi o hospital onde ele nasceu). A consultora já havia ligado dizendo que iríamos e a enfermeira obstétrica me aguardava.
Coloquei a camisola do hospital, fui para o pré parto e me colocaram no soro com medicação. A enfermeira então veio e colocou uma compressa fria (estava fazendo quente em casa, ela disse que nesses casos é melhor fria). Já na compressa meu peito começou a pingar bastante.
Uns 30 minutos depois ela veio ordenhar a mama direita. A esquerda já estava mole, com produção regulada. A ordenha foi manual. E o leite jorrava, de tanto que ela apertava. Foi muito difícil, muito. Me dá angustia só de escrever.
Depois da ordenha tive febre só mais duas vezes e depois não mais. Mas em casa continuamos a amamentar e fazer ordenha nessa mama. Eu não conseguia, Rodrigo que fazia a ordenha manual.
Continuei chorando na hora da pega. Eu precisava de muita coragem pra colocar ele no meu peito naquele estado. Mas continuei firme amamentando.
No sábado, dia 21, já desesperada com a dor mandei mensagem pra pediatra perguntando se eu só ordenasse a mam direita por uns dias e desse na colher, se a minha produção seria prejudicada, se ele perderia o peito. Ela disse que não. E assim fiz por 2 dias. Suspendi a amamentação da mama direita, mas tirava e dava pra ele. E assim fiz até segunda dia 23. Continuei amamentando na esquerda normalmente, já estava suportável a dor.
No dia 23 tivemos consulta com a pediatra. Ele havia engordado somente 80 gramas naquela semana. Na hora que vi fiquei feliz, com tudo aquilo me acontecendo eu consegui amamentar e ainda engordar um pouco o pequeno! Mas a pediatra achou pouco, e isso me desanimou muito. A mama direita ainda estava um pouco empedrada e a pediatra disse que eu teria que ordenhar umas 10 vezes por dia, ou logo iria piorar novamente.
Acontece que eu levava pelo menos 1 hora pra tirar cerca de 50ml de leite. Ordenhar 10 vezes ao dia significaria então ficar 10 horas só nisso. Impossível.
Chegando em casa Rodrigo foi buscar Gianlucca na escola, e eu decidi que era hora de voltar ele para o peito direito e evitar que empedrasse novamente. Nossa, como foi difícil colocar ele no peito novamente! Fiz com a pega invertida e consegui (mas levei bem uns 20 minutos pra tal proeza).
No dia 24 tive retorno com a consultora e cheguei lá com vontade de chorar. Ela me perguntou o que eu via quando olhava para Giuseppe. Respondi que via ele bem, forte, vigoroso. Então ela me disse "peso na balança é o que menos importa agora, precisamos que você fique bem". Saí de lá muito melhor, o que é o acolhimento!!
Hoje, com 31 dias de nascimento, o saldo é:
- mama direita ainda ferida. A rachadura ainda está aqui e uma parte de cima da mama ainda está ferida. Sem empedramento, sem mastite.
- mama esquerda sem dor alguma. Só quando ele está com cólica e puxa hahah.
- já não choro mais pra amamentar, mas ainda tenho dor na direita. Mas não preciso de coragem para dar pra ele. Vou e coloco na boca e ponto.
- tomei 6 caixas de anti inflamatório.
- estou usando uma pomada cicatrizando na mama direita há 5 dias. Visualmente está melhor, apesar da dor.
- oro a Deus para chegar o dia que não sentirei nenhuma dorzinha.
- estamos aqui, sem complementar. E com 20 dias ele tinha engordado mais de 500 gramas.
- escrevendo tudo isso nem sei como consegui passar por tudo. Deus me fez forte.
- enquanto amamentava orava a Deus pedindo cura e ajuda. Afinal estava alimentando meu filho.
- não foi fácil, mas tem valido a pena.
Meu conselho pra quem vai amamentar:
- tome sol nas mamas, antes de nascer de preferência e após cada mamada. Ajuda demais!
- não saia do hospital sem a certeza que a pega está correta. Melhor ser chata lá do que machucar, é bem demorado pra sarar, já que o bebê vai ficar sugando.
- não dê chuepta, pelo amor de Deus e amor aos seus mamilos. Mamadeira então, nem sonhando!
- vai dar tudo certo. Confia em você e na capacidade que Deus te deu como mãe. Você consegue.
Bjs
6 de ago. de 2014
Amamentação - Nossa História
Como estamos na semana do aleitamento materno, vou falar um pouco sobre nossa história de amamentação.
Como no parto, eu não me empenhei muito em saber sobre amamentação. Na verdade tinha isso como normal, natural. Os bebês mamam no seio e ponto! Nada mais natural que isso.
Sempre vi bebês mamando, não tenho recordações das mulheres da minha vida e do meu entorno dando mamadeiras para bebês, mas para crianças sim. Então pra mim os bebês mamavam e ponto.
Logo que nasceu, bambino não quis mamar. Mas assim que cheguei no quarto, ele me esperava junto com meu marido e a minha mãe. Eu deitada de lado, a enfermeira o colocou no seio esquerdo e ele pegou. "Jesus" foi a primeira palavra que eu disse assim que ele sugou. E como sugou! Como pode um ser daquele tamanho ter tanta força para sugar.
Como não me preparei, eu assustei. Sentia algo parecido com dor, mas não era dor. Era estranho, pois sentia que algo estava saindo de dentro de mim. Era o colostro.
Gianlucca ficou a noite toda comigo na cama, eu sozinha no quarto. Meu marido não dormiu conosco no hospital, nem me lembro porque. Mas a primeira noite foi muito tranquila! Nós dormimos um pouco, dei mais um pouco de peito e assim fomos na madrugada de segunda pra terça. Achei muito tranquilo, apesar do impacto inicial. Pensei que seria moleza. Inocente! hahahaha
Na terça ficamos os 3 no hospital, super tranquilos. Mas eu não conseguia fazer bambino mamar no seio direito, então estava sentindo um pouco de incomodo no esquerdo. Sorte que o garoto dormia muito, eu precisava acordá-lo para mamar. Com apenas 1 dia de vida eu já estava achando que tinha parido o mais calmo dos bebês. Inocente 2 hahahaha.
Aí chegou a madrugada de terça para quarta e o bicho pegou! Estávamos mais um vez somente nós dois, e eu não conseguia que ele pegasse o seio, agora nem o esquerdo! E Ele chorava como se não houvesse amanhã ou como se eu estivesse batendo.
Então chamei a enfermeira para me ajudar. Até nesse momento eu estava relativamente calma. A enfermeira me ajudou a colocá-lo no peito. Ele deu 3 boas sugadas, então a enfermeira nos deixou a sós. Foi só ela fechar a porta ele perdeu o bico e começou a chorar e eu comecei a ficar nervosa. Se calma eu já não estava conseguindo que ele pegasse, imagina nervosa.
Depois de mais uns 40 minutos de tentativas chamei a enfermeira e ao abrir a porta o que ela me disse?! "DE NOVO!" As 4 da matina ninguém quer ser incomodada por duas vezes seguidas, não é mesmo?! Mal preparada define, infelizmente.
Ela então me disse que levaria Gianlucca para o berçário,para dar fórmula e eu em prantos aceitei. Liguei para o meu marido soluçando, e ele ficou desesperado.
Outra enfermeira veio me trazer o pequeno e me instruiu a comprar uma concha, assim o bico ficaria pronto para a pega, o que facilitaria esse começo de vida. Mas me alertou: não diga isso para a Fono quando ela vier te visitar. Também me mostrou a posição em que o bebê fica sentado, nessa posição finalmente eu conseguir dar o peito direito para Gianlucca.
Na manhã da quarta-feira, antes da minha alta, a Fono realmente passou e me deu instruções sobre o amamentar. Eu acho que foi tardio, deveria passar antes, mas pelo menos passou. Fomos para casa, mas eu não estava feliz, algo não estava bom.
Na quarta no começo da noite estava na sala amamentando no seio direito na posição sentado quando comecei a passar mal. Dei o Gianlucca para o Rodrigo e sai um pouco tomar uma brisa, no quintal mesmo. Eu sentia como se fosse vomitar, uma tontura, não conseguia respirar. Devagar isso foi passando e quando eu melhorei voltei a amamentar. Então bambino começou a engolir, engolir e engolir. Quando tirei o peito da boca dele jorrava leite. Finalmente meu leite havia descido.
Eu ainda usei a concha por um mês, até me sentir segura na pega. Depois não precisou mais. Mas usava até quando dormia, para que o bico estivesse pronto sempre que precisasse.
Gianlucca mamou muito, de hora em hora. Eu que nos primeiros 15 dias precisava acordá-lo para mamar, depois que ele "acordou" pra vida, não me deixava quieta. Tudo o que eu fazia era amamentar e trocar fralda. Nem o dente dava tempo de escovar. E como era gostoso viver em pró da amamentação.
Eu amamentava em público, inclusive na igreja, e não me importava com isso. Há tanta besteira na TV, na rua que implicar com amamentação pra mim não tem sentido. Não tive vergonha, mas meu marido não gostava muito não. Paciência!
Mamou até os 8 meses. Tive que parar devido um problema de saúde e o medicamento era muito forte. Pouco pra mim. Se houver segundo round aqui em casa, pretendo deixar mamar até o peito cair no chão.
Minha reflexão sobre amamentar: É um ato de amor. O início não é glamour, como se mostra por aí. É preciso insistir por um bem maior. Passado a dificuldade inicial, aí sim vira uma delícia. Mas se você não estiver empenhada nisso é muito fácil desistir.
Informação é o que há! E preparação também! Eu poderia ter iniciado a preparação do mamilo bem antes, o que me facilitaria a vida no começo da vida do Gianlucca.
Saldo da experiência é positivo! Eu super recomendo, é uma questão de saúde.
Estamos em reforma em casa e tudo está fora do lugar. Não achei meu pen drive com as fotos de quando ele mamava. Uma pena!
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