21 de abr de 2015

1945 e a Desesperança

Sabe que eu tive um professor de história incrível. Tão incrível que cheguei a prestar vestibular para história, pois eu queria isso para minha vida. Não passei, e as vezes me pego pensando como seria a minha vida se tivesse persistido nesse caminho, o de ser historiadora. Não tenho dom para a sala de aula, como minha mãe. Mas meu foco era ser pesquisadora da área.

Bem que a vida seguiu em outros rumos, e me levou a exercer uma profissão completamente diferente disso, hoje eu atuo na cadeia de suprimentos (supply chain). Mas não fugo de uma boa conversa sobre história, e olha que eu amo.

O fato é que esse professor nos mostrava as coisas que regularmente não vemos nos livros, outras óticas do mesmo assunto.

Dentro disso estudamos a onda de suicídio que acometeu a Alemanha em 1945. Apesar de já ter estudado antes a segunda guerra, nunca tinha ouvido falar sobre esse episódio. No entanto ele aconteceu.  Famílias inteiras tiravam as suas vidas, inclusive das crianças. O próprio Hitler fez isso para não se entregar, e todo o seu escalão acompanhou.

No aniversario de 70 anos do "fim" da segunda guerra, algumas reportagens começam a aparecer. Ontem eu li uma delas, e precisa vir aqui escrever sobre um pouco disso.

O foco dessa matéria era uma cidade na Alemanha, onde as mães ao final desse período foram acometidas por tamanha desesperança e jogavam seus filhos nos rios e depois se atiravam. Eram muitas e muitas pessoas mortas dentro do rio, onde a água estava vermelha de tanto sangue. De toda Alemanha, essa pequena cidade teve o maior índice de suicídio, isso porque ficaram muito tempo sob o domínio da União Soviética, e imaginam só como é estar sob comando do inimigo: fome, insegurança, violência, estupros e mortes. Juntou isso ao fato de que os sonhos de uma Alemanha ariana ruída, e deu-se o gatilho de toda essa tragedia.

Mães que preferiam a ver seus filhos mortos pelas suas mãos e depois se matando, tendo assim a certeza que tudo enfim se acabará. Desesperança.

Venho para os dias atuais.

Anda-se vendo muito na mídia a dificuldade da Itália nos resgates de pessoas que fogem da Africa em busca de vida melhor. Muitos morrem na travessia, principalmente por naufrágios. Embora somente agora isso tenha ganhado destaque na mídia brasileira (e talvez internacional) a Itália, Malta e  Grécia (mas majoritariamente a Itália) vive isso há anos.

Pessoas que não vendo mais caminhos fogem da sua terra, principalmente pelos conflitos locais, mas também por fome, falta de perspectiva, medo. Arriscam suas vidas e dos seus filhos em embarcações super lotadas, sem o mínimo para comer e beber.

Lembro-me ano passado de ter lido sobre um naufrágio, onde uma mulher já no final da gestação foi encontrada morta por afogamento. Seu bebê havia nascido durante o afogamento e ainda estava preso a ela pelo cordão umbilical. Ambos ali, boiando. O que leva uma grávida ao final de gestação entrar em um barco desse? Desesperança.

Li também ano passado, e cheguei a compartilhar no facebook de uma mulher grávida, que atravessou o deserto com o marido e os dois filhos. Caminharam por 40 dias fugindo de uma área de confronto. Quando chegou ao acampamento de refugiados (que é um lugar terrivelmente assombroso) deu a luz aos seus 3 filhos. Ela estava grávida de trigêmeos, e claro que não sabia. O que leva a seguir esse caminho? A desesperança.

A verdade é que eu não sei o que é desesperança. Não tenho condições de dimensionar como é a morte da esperança. Aquela é a ultima que se vai, não é mesmo? O que fica quando não se tem mais ela, e a fé e a vontade?

Depois de 70 anos, muitas e muitas outras guerras já aconteceram. Tantas delas mentirosas, como foi a do Iraque. Já se está provado que o motivo (a existência de armas nucleares) foi uma grande mentira (apesar de não ter divulgação da mídia, claro! Mas institutos competentes o comprovaram). E o quanto de gente morreu em nome de uma mentira?

Está rolando aí o filme de sniper americano, atirador de elite. Filme mostra a trajetória do cara, e seu primeiro alvo é um menino. Sim, ele mata um menino. Se você viu o filme pode me dizer: mas ele estava com uma bomba na mão e iria atirar nos soldados americanos. Sim, é o que filme mostra, mas olha não sabemos se é verdade. Vamos trabalhar com a possibilidade que sim, esse menino tinha uma bomba na mão e iria atirar. Por um segundo eu me coloco no lugar dele: minha casa invadida, por homens maldosos (porque não vamos pensar que são a gentileza em pessoa, já que sabemos como é estar nas mãos do inimigo de guerra), vendo os seus serem capturados, apanhando, mulheres sendo violentadas (porque não pensem que eles poupam as crianças que estão na sala de presenciar), fome, tiros por tudo quanto lado. Olha, eu mesma já vi um senhor apanhando e entrei no meio para defender (medindo míseros 1,52m), que dirá presenciar tudo isso. Você não lutaria?

Não sou a favor de nenhum tipo de violência, nem da mentira, nem de muita coisa que anda acontecendo nesse mundo do meu Deus. Mas tenho um filho, gestando o segundo e me pergunto: o que vamos fazer?

Nada de desesperanças, ou falta de coragem. Lutar para mudar o mundo a minha volta, já faz muita diferença. Oração e ação! Começando pelos os meus.

Papo chato, eu sei. Mas parte de mim é a mais pura chata, talvez marido diga que boa parte de mim é. Paciência.

8 comentários:

  1. Brilhante reflexão!!! Você com certeza seria uma excelente historiadora!!!! Beijão!!!!

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    1. Obrigada Lyanna querida. Quem sabe tomo coragem e volto pra sala de aula :-)) bjs

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  2. Meu Deus, como há crueldade neste mundo né... e olha que isso é só o que a mídia mostra, imagina o restante?
    Eu não tinha visto essa história da mulher que deu a luz no naufrágio, muito triste!!!

    Bjos!!
    Ly
    http://nossosdiasnossaespera.blogspot.com.br/

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    1. Oi Ly

      A humanidade tem se demonstrado cruel mesmo. Uma lástima. E você está certa, muitas e muitas coisas não sabemos.

      Bjs!!

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  3. Excelente reflexao....o mundo esta cada dia mais cruel e com isso a esperança das pessoas esta morrendo.
    Nao conhecia nenhuma destas historias que vc contou....lastimável,ne
    bjo

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    1. É muito triste Nise. Precisamos cada dia mais nos apegar a Deus e caminhar na direção oposta desse caminho louco. Bjs

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  4. Menina! Seus posts são ótimos, conscientizadores e que nos provocam uma grande reflexão. Amo lê-los, mas confesso que é preocupante.

    http://antesdopositivo.blogspot.com.br/

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    1. Obrigada Nathy. As vezes eu preciso desabafar haha.
      O mundo tem estado cruel, mas não podemos nos desesperar. Temos que educar nossos filhos para fazer diferença e com fé vamos mudando o nosso redor com bastante oração. Bjs

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