31 de ago de 2014

Pau pra toda obra

A maternidade foi um agente transformador na minha vida. As adaptações que tive que fazer desde que engravidei foram muitas.
Eu aprendi que ceder não é fraqueza. Que dar dois passos para trás não significa retrocesso. Que paciência é algo que adubando ela  cresce sim.

Mas seria uma mãe e um pai o chamado "pau pra toda obra"? Capaz de se resolver tudo, superar tudo e conseguir tudo?

Por experiência eu digo não. A limitação continua depois da maternidade.

Sem dúvidas conseguimos nos superar em muitas categorias, nos tornamos pessoas melhores, as vezes piores - tenha o seu filho xingado por alguém para ver o pior se mostrar- mas acima de tudo ainda teremos muitas dificuldades.

A minha, nojentamente, se chama vômito. Eu simplesmente não consigo com isso.
Eu vomito junto.  Dou socorro ao bambino, mas vomito junto.
Quando marido está perto, eu passo essa amistosa função pra ele, pois eu não "guento" não.

Aí a finesse do Rodrigo fica pra morrer. Acha que sou fresca, que não priorizo o bambino e coisas assim. E não basta me dizer isso, ele faz questão de dizer ao pediatra do plantão as 3 da matina. Não se conforma.

Digo a ele que é melhor limpar um vomito do que dois, né não?!? Mas não adianta não. A revolta do conjugue não passa.

Bambino passou mal na madruga de sexta para sábado. Eu estava dormindo na cama dele - ele está no quarto dele, depois volto pra contar - quando ele começou a vomitar. E olha, voou na parede, sujou o colchão praticamente todinho e foi terrível.

Ele em toda a sua vida vomitou somente duas vezes, e por não ter pratica no assunto deu bastante trabalho, pois estava assustado. Não deixava o negócio vir, fechava a boca na hora, foi o Ó.

Culpa de uma pizza de quatro queijos. Quase nunca compramos, e quando compramos dá nisso. Só aumenta a minha certeza do home made. Vou cada dia mais investir nas coisas feitas em casa.

Tomou uma injeção no hospital, chorou horrores - foi a segunda na vida - e ficou só de cueca em obervação, pois segundo ele a calça pegava na injeção e doía mais.

Chegando do hospital ainda vomitou mais uma vez. Oramos por ele e ele dormiu o resto da madrugada (já era quase 5 da matina).

Agora está perfeito. Até acordou hoje pedindo batata frita, vejam só.

E eu continuo aqui, sendo pau pra toda obra, mesmo com um saquinho de vomito pra mim e outro pra ele.

Hugs

24 de ago de 2014

Nós e o Açúcar

Conforme prometido no primeiro post sobre alimentação e sobre as mudanças que estamos fazendo, volto para falar sobre o açúcar branco (refinado).

A intenção desses relatos é dizer sobre nossas descobertas e rotinas, como não sou especialista da área de nutrição falo daquilo que tenho vivido, sem verdades absolutas.

Um breve relato sobre o relacionamento da família com o protagonista do post:

Rodrigo é avesso a doces. Tem paladar super sensível e não gosta. Prefere de maneira soberana os salgados. Então pra ele ficar sem açúcar é completamente normal e relativamente fácil.

Eu sou formiga declarada. Tanto que esse era meu apelido na escola (em uma época que não existia o tal o bullying) tanto pelo meu tamanho (sou realmente pequena!!) como pela intensidade no consumo de doces. Eu sou daquelas que precisa de um doce, as vezes pela manhã, confesso!

Bambino não é muito chegado mas gosta. Gosta de um chocolate ou uma bala, mas não é nem de perto viciado como eu. Até porque em casa não compramos essas porcarias (exceto uma pequena barra de chocolate meio amargo por quinzena - para fazer bolo). Sequer bolacha recheada em tenho em casa, e isso não é de recentemente. Nunca tivemos. E não usávamos muito açúcar, 1kg chegava a durar uns 2/3 meses em casa.

Pois bem que depois que comecei a pesquisar sobre o tema, a primeira coisa que mudei em casa foi o açúcar. Joguei fora sem dó o que eu tinha aqui e aderi ao açúcar demerara. Mas afinal, porque?

Sou nascida em uma cidade que tem uma usina de álcool (hoje o moderno etanol) e açúcar. Meus dois avós trabalhavam nessa usina, mas um deles trabalhava no refino do açúcar. Esse meu avó por acidente de trabalho acabou se contaminando pelo ácido sulfúrico (se não me engano) o que o levou a se aposentar muito precocemente (não tinha nem 40 anos quando isso aconteceu). Só por isso dá pra imaginar a quantia de veneno que se usa no processo de refino do açúcar. Mesmo assim minha família consumia (e ainda consome açúcar) e eu consumi por todos esses anos, até Abril de 2014.

Dá pra entender como vendo na família o mal que os elementos usados para o refino causam, ainda continuamos usando?? Eu te juro que eu não entendo.

Além dessas porcarias todas, o processo de refino acaba com as fibras e sais minerais que contém na cana de açúcar. Ou seja, o açúcar refinado é puramente glicose, não tem nadinha de nutrientes, com isso sua absorção no organismo é meteórica e sua carga glicêmica gigante!

O consumo de açúcar refinado está ligado a inúmeras doenças, desde as mais corriqueiras- mas não menos preocupantes - como diabetes e aumento de colesterol, até estudos que ligam o consumo a câncer de mamas, ovários, próstata, pâncreas entre outros e é inimigo para o funcionamento do intestino.

Pode também reduzir o nível de vitamina E no organismo, e aqui eu sou prova viva que é verdade. Eu sempre tive muitas dores nas mamas, principalmente perto do meu ciclo menstrual. O negócio era tão crítico que cheguei a fazer uma mamografia aos 27 anos de tão insuportável que era. Nunca deu nada (graças ao meu querido Deus) e a receita era sempre vitamina E. Durante os meses que eu tomava realmente não tinha nada, mas era só parar que tudo voltada ao normal.

Depois que eu parei com o açúcar refinado não precisei mais tomar vitamina E e não tenho mais dores como antes. É realmente muito diferente.

E como estamos caminhando?

Em casa só uso o açúcar demerara. Ele é o mais puro dos açúcares com as fibras e os sais mineiras preservados. Quando cheiramos ele tem o cheiro da cana de açúcar, uma delicia.
Mas não radicalizei. Eu hoje consumo muito menos doces na rua, mas não deixo de comer o bolo confeitado no aniversariante do mês na empresa, por exemplo. Como um pedaço pequeno e basta.

Bambino vive normalmente, e come bala quando ganha, como era antes.

Rodrigo a mesma coisa. Um pouco mais radical do que o costume no quesito alimentação.

A diferença que aumentou o consumo. Se antes 1kg durava 2/3 meses em casa, hoje era dura justinho 1 mês. Isso porque estamos reduzindo o glúten das nossas vidas, o que me faz usar mais dos meus dotes de confeitaria, já que o lanche da escola bambino leva e não compramos industrializado - estou muito avessa ao industrializado. Mas só compramos orgânico, uso da Native. É um pouco mais caro, mas como é um pacote só por mês nos damos esse luxo alimentar.

É isso.  Próximo post vou aperfeiçoar o tema do glúten.

Hugs! Má.

16 de ago de 2014

O retorno das férias e o futuro

E então as minhas férias acabaram e voltei a rotina louca de sempre.

Eu confesso que imaginava meu Agosto um pouco diferente. Tantos planos, tanta correira, tanta sementinha de mudança plantada (desde Abril venho plantando sementes de mudanças) e meu Agosto voltou a ser como sempre foi. Acordar de madrugada, ficar longe por 14 horas, ter meu bambino me querendo perto e eu querendo estar perto.

Tem um blogueira que diz que escolhas na verdade são feitas quando temos opções. Muitas vezes não há opções, há somente um caminho a trilhar.

Quando algumas pessoas me dizem que estou nessa rotina por opção, eu logo lembro do que ela diz. Na verdade não há opção. Hoje minha área de atuação não está na cidade onde moro. E porque então eu não moro na cidade onde trabalho?

Vamos lá. 

Eu nasci no interior, e fui para São Paulo para fazer faculdade. Lá conheci meu amor (igualmente blogueiro) e nos casamos (depois volto contar a nossa história).
Então em 2.009 decidimos (motivação maior do marido) a nos mudar novamente para o interior, que não é tão interior assim, e então viemos. Eu sempre gostei de morar aqui, apesar de não ter nascido aqui. E ter meu filho em uma cidade que proporciona maior qualidade de vida do que São Paulo sempre foi grande motivador. Hoje aqui tenho a minha mãe e meu pai, que permite ao bambino ter grande contato com os avós maternos.

Voltar a morar em São Paulo seria na minha visão um retrocesso. Tudo o que nos motivou sair de lá, ainda está lá. A qualidade do ar péssima, o transito péssimo, a violência e o bambino ter que ficar na escola das 7am até 7pm. É cruel com uma criança.

Então eu prefiro me sacrificar à sacrificar meu pequeno filhote. E assim estamos.

Mas sou de carne e osso. E sinto muito mais depois de um período de férias. Como é difícil ficar longe do meu filho e marido por tanto tempo. Como é sacrificante ter uma rotina de 14 horas. Como é difícil querer mudar e não conseguir. Nem mesmo o fato de amar aquilo que faço, o que escolhi por profissão, tem me ajudado a me motivar.

Eu odeio auto-piedade, pra mim não leva a lugar algum. Mas sinceramente, algumas vezes eu tenho pena de nós mesmos como família, como filho, como marido e como mulher. Não é fácil minha gente.

Mas conheço o Deus que sirvo, e Ele me conhece mais do que eu mesma. 

No domingo, último dia antes das férias, minha vontade era chorar. Sendo muito sincera desde quarta-feira estava assim. E no domingo me veio a palavra: pare de lutar com as suas forças e deixe que Eu lutarei por você.
Sim, eu estava lutando com as minhas forças, perdendo noites de sono pensando em como fazer e entrando em um looping de ansiedade devastador, cheguei a engordar mais e a angustia estava presente diariamente.

Já no meu primeiro dia de retorno Deus me mostrou que está sim trabalhando e isso foi muito reconfortante. Vai dar tudo certo.

O futuro está começando e junto com ele Deus me dará a tão sonhada qualidade de vida que peço.

Hugs 

6 de ago de 2014

Amamentação - Nossa História

Como estamos na semana do aleitamento materno, vou falar um pouco sobre nossa história de amamentação.

Como no parto, eu não me empenhei muito em saber sobre amamentação. Na verdade tinha isso como normal, natural. Os bebês mamam no seio e ponto! Nada mais natural que isso.

Sempre vi bebês mamando, não tenho recordações das mulheres da minha vida e do meu entorno dando mamadeiras para bebês, mas para crianças sim. Então pra mim os bebês mamavam e ponto.

Logo que nasceu, bambino não quis mamar. Mas assim que cheguei no quarto, ele me esperava junto com meu marido e a minha mãe. Eu deitada de lado, a enfermeira o colocou no seio esquerdo e ele pegou. "Jesus" foi a primeira palavra que eu disse assim que ele sugou. E como sugou! Como pode um ser daquele tamanho ter tanta força para sugar.

Como não me preparei, eu assustei. Sentia algo parecido com dor, mas não era dor. Era estranho, pois sentia que algo estava saindo de dentro de mim. Era o colostro. 

Gianlucca ficou a noite toda comigo na cama, eu sozinha no quarto. Meu marido não dormiu conosco no hospital, nem me lembro porque. Mas a primeira noite foi muito tranquila! Nós dormimos um pouco, dei mais um pouco de peito e assim fomos na madrugada de segunda pra terça. Achei muito tranquilo, apesar do impacto inicial. Pensei que seria moleza. Inocente! hahahaha

Na terça ficamos os 3 no hospital, super tranquilos. Mas eu não conseguia fazer bambino mamar no seio direito, então estava sentindo um pouco de incomodo no esquerdo. Sorte que o garoto dormia muito, eu precisava acordá-lo para mamar. Com apenas 1 dia de vida eu já estava achando que tinha parido o mais calmo dos bebês. Inocente 2 hahahaha.

Aí chegou a madrugada de terça para quarta e o bicho pegou! Estávamos mais um vez somente nós dois, e eu não conseguia que ele pegasse o seio, agora nem o esquerdo! E Ele chorava como se não houvesse amanhã ou como se eu estivesse batendo. 
Então chamei a enfermeira para me ajudar. Até nesse momento eu estava relativamente calma. A enfermeira me ajudou a colocá-lo no peito. Ele deu 3 boas sugadas, então a enfermeira nos deixou a sós. Foi só ela fechar a porta ele perdeu o bico e começou a chorar e eu comecei a ficar nervosa. Se calma eu já não estava conseguindo que ele pegasse, imagina nervosa.
Depois de mais uns 40 minutos de tentativas chamei a enfermeira e ao abrir a porta o que ela me disse?! "DE NOVO!" As 4 da matina ninguém quer ser incomodada por duas vezes seguidas, não é mesmo?! Mal preparada define, infelizmente.

Ela então me disse que levaria Gianlucca para o berçário,para dar fórmula e eu em prantos aceitei. Liguei para o meu marido soluçando, e ele ficou desesperado.
Outra enfermeira veio me trazer o pequeno e me instruiu a comprar uma concha, assim o bico ficaria pronto para a pega, o que facilitaria esse começo de vida. Mas me alertou: não diga isso para a Fono quando ela vier te visitar. Também me mostrou a posição em que o bebê fica sentado, nessa posição finalmente eu conseguir dar o peito direito para Gianlucca.

Na manhã da quarta-feira, antes da minha alta, a Fono realmente passou e me deu instruções sobre o amamentar. Eu acho que foi tardio, deveria passar antes, mas pelo menos passou. Fomos para casa, mas eu não estava feliz, algo não estava bom. 
Na quarta no começo da noite estava na sala amamentando no seio direito na posição sentado quando comecei a passar mal. Dei o Gianlucca para o Rodrigo e sai um pouco tomar uma brisa, no quintal mesmo. Eu sentia como se fosse vomitar, uma tontura, não conseguia respirar. Devagar isso foi passando e quando eu melhorei voltei a amamentar. Então bambino começou a engolir, engolir e engolir. Quando tirei o peito da boca dele jorrava leite. Finalmente meu leite havia descido.

Eu ainda usei a concha por um mês, até me sentir segura na pega. Depois não precisou mais. Mas usava até quando dormia, para que o bico estivesse pronto sempre que precisasse.

Gianlucca mamou muito, de hora em hora. Eu que nos primeiros 15 dias precisava acordá-lo para mamar, depois que ele "acordou" pra vida, não me deixava quieta. Tudo o que eu fazia era amamentar e trocar fralda. Nem o dente dava tempo de escovar. E como era gostoso viver em pró da amamentação.

Eu amamentava em público, inclusive na igreja, e não me importava com isso. Há tanta besteira na TV, na rua que implicar com amamentação pra mim não tem sentido. Não tive vergonha, mas meu marido não gostava muito não. Paciência! 

Mamou até os 8 meses. Tive que parar devido um problema de saúde e o medicamento era muito forte. Pouco pra mim. Se houver segundo round aqui em casa, pretendo deixar mamar até o peito cair no chão.

Minha reflexão sobre amamentar: É um ato de amor. O início não é glamour, como se mostra por aí. É preciso insistir por um bem maior. Passado a dificuldade inicial, aí sim vira uma delícia. Mas se você não estiver empenhada nisso é muito fácil desistir. 
Informação é o que há! E preparação também! Eu poderia ter iniciado a preparação do mamilo bem antes, o que me facilitaria a vida no começo da vida do Gianlucca. 
Saldo da experiência é positivo! Eu super recomendo, é uma questão de saúde.

Estamos em reforma em casa e tudo está fora do lugar. Não achei meu pen drive com as fotos de quando ele mamava. Uma pena!

3 de ago de 2014

Sobre Fralda de Pano com Devaneios acerca do futuro

Agosto é um mês muito especial pra mim.

Foi no dia 03/08/10 que descobri que estava grávida do bambino. No dia 03/08/11 voltei a menstruar. No dia 02/08/13 retirei o DIU  e ainda em Agosto é aniversário do meu pai.

Um mês bem representativo! Não preciso de ajuda do calendário para lembrar de cada data, até porque são bem próximas e marcantes.

Faz um ano que tirei meu DIU e durante longos 8 meses tentamos encomendar o segundinho(a), mas com alguns momentos de dúvidas se realmente era o certo a se fazer. Percebe que os dois posts que linkei são do mesmo mês? Inconstância emocional define.

Até que em Abril decidimos que iriamos esperar mesmo e o meu coração sossegou um pouco, ao ponto de discutir um filho único.

E onde entram as fraldas de pano afinal? Entram no que eu chamo de apego emocional. Explico-me.

Eu sempre fui uma mãe desapegada, mesmo. Das coisas de Gianlucca quando pequeno eu tenho somente um macacão RN lindo demais e um sapatinho que minha tia nos deu. Ah, tenho também o bebê conforto. O restante eu doei absolutamente tudo. E ia doando conforme não servia mais, não fiquei guardando nada.
Das pessoas que eu conheço, acho que sou a única a fazer isso. Todo mundo guarda e reaproveita no próximo. Eu não tenho esse apego. Se tem gente precisando eu dou mesmo.

Mas as fraldas de pano, eu não consigo. Chega a me doer o coração pensar em me desfazer delas. Não consigo nem emprestar (egocentrismo vemos por aqui).
E não foi por falta de oportunidade não. Eu indico fralda de pano para absolutamente todo mundo! Amo demais. Mas me desfazer das fraldas me soa um pouco "abrir mão" dessa segunda gestação.

No entanto o futuro do humanidade aqui de casa ainda está sem definição. Marido pretende sim ter mais um, pelo menos. Eu ainda não tenho certeza.

A verdade é que onde eu coloco mais um filho nessa rotina louca que vivo? Eu fico na verdade meio puta com essa sociedade consumista e louca. Trabalhar, educar, estudar, ser dona de casa, esposa e ainda ser eu mesma. E olha que meu marido é de extrema participação! Não sei que seria de mim sem você, babe. E essas super mulheres que criam sozinhas seus rebentos? A elas todo o meu respeito.

Das 24 horas do dia, 14 eu não estou em casa. Me sobram 10 para amar e educar meu filho, amar meu marido, me amar e ops, pera aí, comer e dormir né?! Mas precisa mesmo dormir?!

Meu relacionamento com Deus é feito em transito. No meu tempo de deslocamento de casa para o trabalho e vice-versa. E no decorrer do dia.

Agora o quão justo é com o meu filho dividir o pouco de atenção que tem da mãe com outra criança, que demandará atenção demais? O quão justo com o outro filho será ter uma rotina tão apertada e louca como Gianlucca teve e tem?
O quão justo é comigo gestar em transito mais uma vez? E a gravidez de paz que todo mulher merece ter?
Crescer sem irmãos nunca foi, na verdade, uma opção pra mim. E meu sonho de adotar?
E a minha carreira, que também me faz muito feliz? Esse vale um post a parte de tudo.

São muitas dúvidas.

Escolhas precisam ser feitas a todo momento. Umas impactam mais do que outras, mas as consequências das ações invariavelmente chegarão. E como família que somos, o impacto é sentido por todos.

Talvez o post pareça um pouco mais dramático do que ele realmente é, não é essa intenção. O momento na verdade é ainda de reflexão, e eu tenho sim vontade de começar tudo de novo e ao mesmo tempo me canso só de pensar um barrigão dentro de um fretado (vou de fretado trabalhar).

Por hora, digo ao povo que as fraldas ficam. #Deusnocomando.

Belezuras!!
*todos os direitos da foto são reservados e não autorizo reprodução.




1 de ago de 2014

Razões de ser - O parto

E então eu resolvi falar sobre parto. O meu, claro, mas que tem influências de outros.
Vivemos em uma tribo, então tudo em volta contribui.

Gianlucca nasceu de uma cesárea eletiva. Até hoje disse isso somente para o meu marido, mas decidi tornar isso publico (apesar de meu círculo social não saber da existência do blog).
E porque disse isso somente para o Rodrigo? Porque ninguém está nem aí para o assunto parto!

Não tenho nenhum receio de assumir meu parto, sou realmente bem resolvida com a escolha que fiz. Nem mesmo esse MMA que ocorre entre parto normal X parto cesáreo me afeta. Nem mesmo a tentativa de tirar a palavra "parto" antes de cesáreo, por acreditarem que não é um parto.
Como diz a Anne do finado Super Duper escolha é aquilo que a gente banca. Concordo em gênero, número e grau! Eu banco a minha cesárea e ponto!

Vamos ao caminho até o meu parto.

Sou a filha caçula, tenho somente uma irmã mais velha. Minha mãe casou-se muito cedo, foi mãe muito cedo e fechou a fábrica cedo também.

Minha irmã nasceu de fórceps quando ela tinha somente 18 anos. Eu nasci de cesárea, mas não eletiva. Minha mãe ficou em trabalho de parto a noite toda em casa e foi para o hospital de manhã. Segundo os relatos familiares, mais um pouco eu nascia em casa.
Aí você me pergunta, porque então minha mãe optou por uma cesárea? Devido a laqueadura! Minha mãe fez laqueadura no meu parto, aos 21 anos. E ainda não dá pra fazer laqueadura via vaginal, muitas mais no meio da década de 80 (kkkkk)

Cresci ouvindo relatos da minha mãe de como sofreu e se machucou no parto da minha irmã. Segundo ela só não foi pior pois ela alugou o vestido de noiva algumas vezes (que tem até hoje! É muito amor) para pagar o famoso parto sem dor (com anestesia que antes o sistema publico não ofertava).
Eu mais envolvida no assunto hoje, imagino sim que deve ter sido cruel. Ela por querer fazer a laqueadura e não querer mais passar por isso, optou operar.

Mas as mulheres da minha vida são parideiras. Minha avó teve 6 filhos, exceto pelo primeiro, todos os partos foram rápidos. Minha tia, hoje madrinha do bambino, nasceu em casa. Minha vó conta que estava com dores e meu vô saiu para "alugar" o taxi para ir ao hospital. Ela estava sentada na cama esperando, quando veio uma contratação. Ao se deitar, fez um pouco de força e minha tia nasceu. Olha que lindeza!!!

Minha tia teve seus dois filhos de parto normal, mas contava do sofrimento do primeiro devido a episiotomia.

Assim cresci ouvindo de sofrimentos. Verdadeiros, entendo. Não me imagino em um fórceps ou vitima de uma episiotomia.
Quando criança inicialmente eu dizia que não teria filhos. Minha justificativa, esse mundão lindo do meu Deus ficando cada dia cruel. Uma das minhas principais argumentações era a falta de água, e olha hoje vivendo aqui uma crise hídrica em SP! Tinha medo de colocar filhos no mundo para sofrer.
Mas depois um otimismo me invadiu e optei por ser mãe. Iria adotar! Causa super nobre, que ainda ronda o meu coração, mas a razão era não sofrer. Hoje entendo que dor - que existe no parto - não tem nada a ver com sofrimento.

Então minha irmã engravidou e de cara gêmeos (família tem uma penca de gêmeos, genética completamente favorecendo) e passado 38 semanas deu-se a desgraça. Nascidos de cesárea um deles faleceu depois de 2 horas e outro ficou 2 meses na UTI e também se foi para os braços do Pai. Passaram do tempo, ficaram sem oxigênio. Muito sofrimento, muito.

Enquanto grávida, meu único medo era meu filho não respirar, ficar sem oxigênio. Esse fantasma da minha irmã também me assombrou demais.

Eu demorei para engravidar. Gianlucca é filho de um milagre, resultado de muito oração e clamor a Deus. Quando enfim eu embarrigudei, optei por ficar com o médico que já me acompanhava. Foi a minha pior decisão.

Fazia meu pré-natal em São Paulo, pois lá trabalhava (e ainda trabalho) e ficava mais fácil ir para as consultas. O médico era na época uns dos diretores do hospital próximo da Av Paulista que só faz cesáreas. E eu quando ingenuamente falava que queria parto normal ele me dizia que o hospital que atendia parto normal (e que meu convênio cobria) não permitia acompanhantes e que eu ficaria assistida somente pelas enfermeiras, ele mesmo viria somente após 8 dedos de dilatação e que isso demoraria horas. Nunca me ofereceu uma cesárea, mas nem precisava né não?!

Fui uma gestante desassistida. Comparecia todas as consultas, mas não tinha vinculo qualquer com o médico. Eu que sofri a gestação inteira com a pressão super baixa, onde quase desmaiava, nunca fui observada. Podia morrer de reclamar, ele nem se abalava.

Aos 5 meses de gestação, fui para o Pronto Socorro em Sorocaba passando mal da pressão. Era uma segunda-feira, me lembro até hoje e lá conheci o Dr. André. E como fui feliz em conhece-lo! Médico amável, empatia total tanto minha como do marido. Mas meu convênio não cobria as consultas com ele. Fiquei então com o médico de SP.

Até que com 35 semanas, após várias ligações ao médico de SP por passar muito mal da pressão baixa (eu não conseguia ficar em pé) e nenhum retorno dele, NENHUM, eu me cansei. Dr. André me recebeu e continuamos na reta final com ele, particular mesmo.

No dia 04/03 uma sexta-feira, depois de 2 dias sem dormir, passando muito mal eu liguei para o médico e disse: cansei de brincar, me opera hoje mesmo! Ele me disse para esperar mais, não aceitou! Disse que melhor seria induzir meu parto normal, me colocaria no soro, e se fosse minha opção após 6 dedos de dilatação me daria anestesia. Fiquei de pensar. Passou o final de semana e na segunda, 07/03 liguei para ele e disse que queria a cesárea. E assim foi feito.

Fui para o hospital as 15hs, Gianlucca nasceu as 17:42hs. Não quis mamar logo que nasceu. Papai acompanhou até o berçário e deu o primeiro banho enquanto eu ficava na sala de recuperação.
Demoraram demais para me levar para o quarto, demais. Gianlucca também foi vítima de todos os protocolos hospitalares, como vitamina K injetável, aspiração, colírio e tudo o mais.
Da cesárea, minha primeira levantada da cama as 5 da matina no dia 08/03 para tomar banho foi cruel. Depois disso não tive nenhuma dor, nenhuma mesmo. Não andei com dificuldade, me abaixava e tudo mais. Só não carregava peso, como a banheira cheia de água. Do resto quem me via achava que eu tinha parido por parto vaginal mesmo.
A  minha cicatriz é quase nula, incrível! Prova que meu amado e fofo Dr. André também é um cesarista. Mas isso não o desqualifica de maneira nenhuma. O apreço que temos por esse homem aqui em casa é imenso!

Cicatriz emocional, no lo tengo! Meus medos me fizeram optar por uma cesárea, e após muita informação eu creio que os tenho todos resolvidos.
Eu, ignorante que era na época, não via diferença na via de nascer. E hoje sei que há sim. E que de alguma maneira isso impactou a vida do Gianlucca de uma forma irreversível, já que não posso colocar ele dentro da minha barriga de novo e parir (apesar de alguma vezes desejar profundamente hahahah).

Caso haja segundo round aqui em casa, o parto não será apenas normal, será domiciliar. Quero parir no ninho, pois lugar de parto não é em hospital.

É isso. As grávidas que tenho por perto eu tento orientar, para que possam seguir caminhos diferentes do meu, mas a decisão é intrinsecamente pessoal.

A você barrigudinha de plantão, desejo que seus medos não te dominem como me dominaram. E que você possa bancar sua escolha seja ela qual for :)

Assim que nasceu. Só de olhar me emociono ao lembrar da alegria que senti.
*todos os direitos da foto são reservados e não autorizo reprodução.