12 de dez de 2015

Caos vindo de onde menos se espera - A saga da amamentação

Eu amamentei Gianlucca até os 8 meses. Eu saí do hospital com a indicação de complemento e a indicação da concha plástica (a qual usei durante um mês todinho e me foi muito útil, apesar de ter relatos de infecção e não indicação de uso).

Não tivemos problema de pega, nem fissuras e nem nada. Claro que meu mamilo doía, pois sempre tive sensibilidade nas mamas. Mas algo suportável, não estava machucado.

Aí que segundinho foi encomendado e dentre os planos era amamentar exclusivamente até 6 meses e continuar até os dois anos pelo menos.

Veja bem, não sou contra complemento. Eu complementei o Gianlucca em diversas vezes. A questão aqui é escolha de amamentar exclusivamente, não de julgamento a quem complementa. Até porque cada um sabe do seu limite, do seu caminho e das suas escolhas.

Durante a gestação meu seio não cresceu absolutamente nada. Diferente da gestação do Gianlucca onde os primeiros que foram embora foram meus sutiens pois ficaram pequenos. Eu até tinha preocupação se teria leite.

Aí Giuseppe nasceu mamando. Muito!! E ele mama muito mesmo. Gianlucca nos primeiros 15 dias eu precisava acordar pra mamar. Giuseppe não. Eu preciso orar a Deus e pedir que ele durma um pouco, pra dar sossego para meu peito.

Eu saí do hospital com a mama direita machucada. Isso porque ele Mamou muito nela enquanto eu estava deitada. E machucou. Mas completamente suportável.

Saímos da maternidade na quinta a noite. No sábado a noite Gianlucca não aceitava que Rodrigo colocasse ele pra dormir, Giuseppe chorava querendo peito (que tinha saído não fazia nem 5 minutos) r Gianlucca começando com choradeira também. Ou seja, caos se instalando.

Fui até a gaveta e peguei a chupeta. Foram 30 minutos de chupeta até que Gianlucca dormisse. Foi a pior besteira de todos os meus 30 anos!! Eu nunca deveria ter feito isso!

Giuseppe perdeu a pega da mamada. Com 30 minutos de chupeta a pega se foi.

A noite do dia 14 para o dia 15 foi a pior de todas. No outro dia levantamos com o macacão dele branco todo trabalhado no sangue. Ele detonou os meus mamilos, principalmente o direito que já estava machucado.

Mesmo doendo continuei amamentando. Minhas mamas estavam abarrotadas de leite, enormes e duras (túrgidas como dizem). O sutien de amamentação apertando demais. E cada vez mais difícil de dar mamar.

Na terça, dia 17, tivemos consulta com a pediatra. Minha mama direita já estava bem vermelha. Médica disse que iria me indicar uma consultora de amamentação, pediu pra amamentar Giuseppe na posição sentado (cavalinho) pra ajudar no ajuste da pega.

Nesse dia a noite comecei a ter febre. E aí o negocio ficou feio. A febre vinha a cada 4 horas, o remédio não fazia efeito por muito tempo. Avisei o obstetra que estava tendo febre e ele me passou um outro remédio.

Desde essa noite passei a urrar de dor ao amamentar. Chorava como nunca chorei na vida. Mas dava o peito mesmo assim.

No dia 18, quarta, falei com a consultora de amamentação, e na quinta dia 19 fomos ver ela. Ajustamos a pega, me recomendou a tirar o sutien de amamentação pois estava empedrando leite nas costuras do sutien (recomendou o uso de um top) e não me deixou passar nada no seio (estava passando aquela pomada de lanolina) pois os dutos estavam entupidos. Diagnostico era rachadura de quarto grau ( a boa noticia foi que era o pior grau, não poderia piorar mais). Receitou antiinflamatório a cada 6 horas. Saí de lá com a perspectiva de estar melhor em uma semana.

A noite do dia 19 para 20 foi a pior que tive. Mama com mastite, empedrada, rachada e com os dutos entupidos (ele mamava pouco mesmo na mama direita, logo soltava e queria novamente e eu quase morria pra colocar novamente).

Não era nem 7 da manhã do dia 20 o Rodrigo ligou para a consultora. A febre batia em 40 graus e a cada 2 horas. Pediatra e obstetra já estavam muito preocupados. A consultora recomendou a ida até hospital para ver. Obstetra me ligou e pediu pra que eles olhassem a cesárea, se estava tudo bem (a febre poderia estar vindo daí).

Chegamos ao hospital (eu, Rodrigo e Giuseppe) e fomos para a maternidade (não foi o hospital onde ele nasceu). A consultora já havia ligado dizendo que iríamos e a enfermeira obstétrica me aguardava.

Coloquei a camisola do hospital, fui para o pré parto e me colocaram no soro com medicação. A enfermeira então veio e colocou uma compressa fria (estava fazendo quente em casa, ela disse que nesses casos é melhor fria). Já na compressa meu peito começou a pingar bastante.

Uns 30 minutos depois ela veio ordenhar a mama direita. A esquerda já estava mole, com produção regulada. A ordenha foi manual. E o leite jorrava, de tanto que ela apertava. Foi muito difícil, muito. Me dá angustia só de escrever.

Depois da ordenha tive febre só mais duas vezes e depois não mais. Mas em casa continuamos a amamentar e fazer ordenha nessa mama. Eu não conseguia, Rodrigo que fazia a ordenha manual.

Continuei chorando na hora da pega. Eu precisava de muita coragem pra colocar ele no meu peito naquele estado. Mas continuei firme amamentando.

No sábado, dia 21, já desesperada com a dor mandei mensagem pra pediatra perguntando se eu só ordenasse a mam direita por uns dias e desse na colher, se a minha produção seria prejudicada, se ele perderia o peito. Ela disse que não. E assim fiz por 2 dias. Suspendi a amamentação da mama direita,  mas tirava e dava pra ele. E assim fiz até segunda dia 23. Continuei amamentando na esquerda normalmente, já estava suportável a dor.

No dia 23 tivemos consulta com a pediatra. Ele havia engordado somente 80 gramas naquela semana. Na hora que vi fiquei feliz, com tudo aquilo me acontecendo eu consegui amamentar e ainda engordar um pouco o pequeno! Mas a pediatra achou pouco, e isso me desanimou muito. A mama direita ainda estava um pouco empedrada e a pediatra disse que eu teria que ordenhar umas 10 vezes por dia, ou logo iria piorar novamente.

Acontece que eu levava pelo menos 1 hora pra tirar cerca de 50ml de leite. Ordenhar 10 vezes ao dia significaria então ficar 10 horas só nisso. Impossível.

Chegando em casa Rodrigo foi buscar Gianlucca na escola, e eu decidi que era hora de voltar ele para o peito direito e evitar que empedrasse novamente. Nossa, como foi difícil colocar ele no peito novamente! Fiz com a pega invertida e consegui (mas levei bem uns 20 minutos pra tal proeza).

No dia 24 tive retorno com a consultora e cheguei lá com vontade de chorar. Ela me perguntou o que eu via quando olhava para Giuseppe. Respondi que via ele bem, forte, vigoroso. Então ela me disse "peso na balança é o que menos importa agora, precisamos que você fique bem". Saí de lá muito melhor, o que é o acolhimento!!

Hoje, com 31 dias de nascimento, o saldo é:

- mama direita ainda ferida. A rachadura ainda está aqui e uma parte de cima da mama ainda está ferida. Sem empedramento, sem mastite.
- mama esquerda sem dor alguma. Só quando ele está com cólica e puxa hahah.
- já não choro mais pra amamentar, mas ainda tenho dor na direita. Mas não preciso de coragem para dar pra ele. Vou e coloco na boca e ponto.
- tomei 6 caixas de anti inflamatório.
- estou usando uma pomada cicatrizando na mama direita há 5 dias. Visualmente está melhor, apesar da dor.
- oro a Deus para chegar o dia que não sentirei nenhuma dorzinha.
- estamos aqui, sem complementar. E com 20 dias ele tinha engordado mais de 500 gramas.
- escrevendo tudo isso nem sei como consegui passar por tudo. Deus me fez forte.
- enquanto amamentava orava a Deus pedindo cura e ajuda. Afinal estava alimentando meu filho.
- não foi fácil, mas tem valido a pena.

Meu conselho pra quem vai amamentar:

- tome sol nas mamas, antes de nascer de preferência e após cada mamada. Ajuda demais!
- não saia do hospital sem a certeza que a pega está correta. Melhor ser chata lá do que machucar, é bem demorado pra sarar, já que o bebê vai ficar sugando.
- não dê chuepta, pelo amor de Deus e amor aos seus mamilos. Mamadeira então, nem sonhando!
- vai dar tudo certo. Confia em você e na capacidade que Deus te deu como mãe. Você consegue.

Bjs


4 de dez de 2015

E assim ele chegou - Relato do parto Giuseppe

Com mais de uma semana de atraso do prometido, consegui finalmente terminar :-))

Vou fazer um post único, então talvez esse pode se tornar o segundo maior post da história do blog. Veremos.

Minha DPP pela DUM era 09/11. Eu na verdade nunca esperei antes disso, até esperava por mais, assim ficaria mais fácil administrar, eu funciono melhor assim.

Por isso estava realmente tranquila. Não tive nem um dia que eu acordei pensando "será hoje??", apesar de continuar achando que os dias passavam devagar, mesmo estando afastada desde o dia 03/11 com 15 dias de atestado. Talvez a maior dificuldade foi trabalhar tanto, pra não ter tantos dias de licença usados sem bebê fora da barriga.

Estava passando em consulta toda sexta, e na semana anterior fui duas vezes na semana. O combinando seria que a partir da semana 40 ele iria me ver de 2 em 2 dias e iriamos deslocar a membrana a cada consulta.

Isso porque se eu precisasse da indução, por ter cesárea anterior, ela deveria ser feita com calma, um pouco por dia pra meu corpo entender que deveria trabalhar.

Dia 08/11 o médico estaria de plantão no hospital. Lá fomos nós deslocar a membrana, faria 40 semanas na segunda. Antes de deslocar ele viu o líquido e o Rodrigo viu o cabelo do bebê. A hemorroida estava sob controle.



Doeu bastante pra deslocar, não vou mentir. Saí de lá com 1 cm. Apesar disso sabia que poderia demorar dias. Não fui dormir ansiosa.

Dia 09/11. Finalmente as 40 semanas completas. Acordei muito indisposta. Com muita dor na pele da barriga, como sempre.

Era uma segunda feira e Rodrigo tinha consulta em São Paulo as 19:30hs. Ele cogitou cancelar, pedi pra ele ir. Estava esperando há 3 meses! Esse médico tem agenda super concorrida. O médico atrasou demais e foi atender Rodrigo quase 21hs.

Nesse dia também, por Rodrigo não estar em casa e minha mãe ter compromisso, Gianlucca não foi a escola, Rodrigo não me permitia dirigir mais por conta da barriga (apesar que eu conseguia viu) e não tinha ninguém pra pegar bambino. Foi difícil ter ele em casa, descansei muito pouco a tarde e eu precisava.

Por volta da 17hs acabou a energia e só pensei: droga, se eu entrar em TP vou precisar do chuveiro. Por volta das 20hs recebi a confirmação da empresa de energia que voltaria somente no outro dia. Eu e bambino comemos pão e somos dormir, sem banho nem nada, estava exausta pra esquentar agua no fogão.

No banheiro vi que saiu meu tampão. Já tinha saido antes, mas dessa vez foi mais. Avisei Rodrigo sobre o tampão e a energia. Pedi que ele me avisasse quando estivesse perto, pois tinha que abrir a porta pra ele. Quando foi 00:10 do dia 10/11 Rodrigo chegou em casa. Estávamos conversando no sofá. Senti uma dor bem chata no baixo ventre e senti um "ploc". Minha bolsa rompeu poucos minutos depois da chegada do papai.

Ok, sem desespero. Poderia ainda levar muito tempo para evoluir. Rodrigo foi chamar a minha mãe enquanto eu estava sentada no vaso sanitário escutando o liquido escorrer. Quando minha mãe chegou (somos vizinhas) falei: pronto, Giuseppe vai ser do dia 10 ou do dia 11. E ela prontamente me respondeu que imagina do dia 11, não demora tudo isso pra nascer! Avisei que poderia demorar sim. Eu nem sabia, mas já nascia aí um ponto de stress futuro, daqueles bem grandes.

Milagrosamente meu chuveiro funcionou! Completamente sem energia e meu chuveiro funcionando. Fui para o banho quente feliz e agradecida pelo cuidado de Deus comigo.

Mandei marido pra cama e deitei no sofá pra descansar. Iria dormir pois precisava de energia para o parto. Mas as 2 da manhã minhas contrações começaram. Queria tanto que elas demorassem um pouco mais, pra poder descansar! Vinham a cada 9 minutos (estava controlando no aplicativo) e eram muito diferentes do que eu imaginava.

Eu estava esperando dores que iriam sair da região da costa (lombar) e iriam imigrar para o pé da barriga. Era até uma preocupação que eu tinha, devido a minha lombalgia, mas não. Elas eram completamente concentradas no baixo ventre. Sentia uma pressão no útero grande.

As 5hs acordei marido e disse que seria melhor dar uma passada no hospital pra dar uma olhada. Arrumei minha mala (ainda não tinha feito hahahah), peguei a do bebê e fomos. Mas eu não queria internar cedo, saberia que iria voltar.

Chegando no hospital a enfermeira obstétrica foi me examinar. Líquido claro, sem mecônio, um dedo de dilatação e bebê bem. No momento do exame foi uma enxurrada de líquido. E que cheiro é aquele?!?!? Tipo água sanitária. Minha casa ficou com esse cheiro hahaha.

Me colocaram um lençol na calcinha e ligaram para o médico, que me ligou em seguida perguntando porque eu não tinha ligado. Eu disse que preferi deixar ele descansar pois poderia ser longo. Eu acho que estava profetizando isso, só pode.

Voltei pra casa e combinei de estar lá meio dia pra ele me avaliar. Assim poderia dar um beijo no Gianlucca, explicar pra ele que o irmão iria nascer, que a vovó iria cuidar dele enquanto eu ficasse no hospital. Em casa consegui cochilar um pouco, as contrações deram uma boa espaçada.

Gianlucca ficou feliz da vida. Seria pra ele uma aventura ficar com os avós.

Segui para o hospital um pouco apreensiva por deixar meu bambino. Nessa hora senti por não poder ter meu parto domiciliar.

Cheguei ao hospital e o médico me aguardava. Me avaliou e estava com 3 para 4 cm. Já tinha evoluído um pouco, graças a Deus. Médico disse então que poderia nascer na madrugada e Rodrigo achou que seria muito tempo. Eu nem me assustei.

Enquanto fui almoçar e fazer cardiotoco, RO foi fazer minha internação. Iriamos passar o trabalho de parto no quarto, não no pré parto. Isso para Rodrigo ficar comigo e termos mais conforto. Isso só foi possível porque o medico autorizou.

Esse dia era plantão do médico a noite. E isso foi a melhor coisa que poderia acontecer. Enquanto ele não chegava ficamos no quarto. Fui para o chuveiro com a bola do pilates, no fim da tarde bambino veio com a minha mãe me ver e já queria saber do Giuseppe.

Estava bem tranquila. Contrações vindo com intervalos de 4 e 5 minutos, mas elas estavam curtas. Cerca de 20 segundos. Enquanto o medico não vinha, íamos conversando por whatsapp.

Chegou as 19hs, e o medico chegou para iniciar o plantão. Fomos então fazer o toque para ver a evolução. Último toque tinha sido as 12hs. Eu estava esperando pra ver a evolução. E nada! Em 7 horas não evoluiu nada. Aí ele me disse que poderíamos ir pra ocitocina, pois minhas contrações estavam curtas e precisávamos delas com duração superior a 30 segundos para o colo dilatar.

Pedi mais uma hora pra ele. Me joguei na água novamente com a bola de pilates. Que angústia! Não queria ir pra ocitocina, queria um parto sem intervenções. Fui pulando na bola e digerindo a situação, orando. Chorei quando saí da bola e aceitei internamente. Se não tivesse evoluído, iria aceitar a ocitocina. Dito e feito e lá fomos nós para a bendita.

Combinamos que ele colocaria bem pouco, pra meu organismo "entender" que eu precisava de mais e então produzir. Foram 24ml em uma hora e o bicho pegou. Contrações foram diminuindo de intervalo e aumentando a intensidade. Cheguei a ter intervalo de 1m57s.



Eu aceitava cada contração, Rodrigo ao meu lado o tempo todo me lembrando de respirar, marcando as contrações no aplicativo, me dando água, fruta. Ah se não fosse o Rodrigo ali comigo! E eu precisava dele, cada vez mais ao meu lado, me apoiando, suportando tudo comigo.

E lá fui eu pra água novamente, dessa vez não queria a bola. Medico reduziu a ocitocina pra 12ml por hora. Mesmo assim a freqüência e duração não diminuíram. Depois de 20 minutos de chuveiro Rodrigo desliga o soro por orientação do medico. Mas o ritmo não diminui. Ótimo, meu corpo entendeu o recado. Continuamos administrando as contrações.

Lá por umas duas da manhã descubro que minha mãe está na recepção do hospital surtando. Sendo extremamente mal educada com Rodrigo no whatsapp, querendo falar com o médico e trocar de lugar com o Rodrigo como acompanhante.

Fiquei muito brava, pois meu combinado era ela ficar com Gianlucca.

Eu entendo o nervosismo da minha mãe, estava com bolsa rompida há muito tempo, ela nunca acreditou que eu pudesse parir naturalmente (me disse isso algumas vezes, pelo meu tamanho), tinha medo que Giuseppe passasse do tempo. Mas eu precisava de paz e apoio, só isso.

Lá vai Rodrigo e o médico descer pra falar com a minha mãe. Enquanto isso a enfermeira ficou comigo. Que situação!!

Eles voltam e vamos para o toque. Nada de evolução. Por incrível que pareça não desanimei. Giuseppe estava bem, vamos continuar.

Lá pelas 4 da manha Rodrigo desceu pra pegar umas frutas que minha mãe tinha ido comprar. Fiquei com o médico no quarto, meia luz, ele segurou minha mão. Eu disse que estava exausta, que meu limite, se já não tinha passado, estava bem próximo. Ele pediu pra fazermos mais um cardiotoco, e  foi buscar.

No cardiotoco os batimentos do Giuseppe já demonstravam cansaço. Medico então pediu uma injeção de glicose e iríamos repetir cardiotoco.

Enquanto eu esperava uns 30 minutos pra fazer o cardiotoco outra vez, passei a me desesperar nas contrações. Algo que não tinha acontecido até então. Falei para Rodrigo chamar o médico, que se não tivesse evolução queria a cesárea.

Repetimos o cardiotoco, fiz o toque e nada! Mesma dilatação. Médico então disse que seria possível esperar mais umas 5 ou 7 horas, sem nos colocar em risco.

Se eu estivesse evoluindo, mesmo que lentamente, eu esperaria sim. Mas estava com a mesma dilatação desde meio dia, praticamente. Estava exaurida. Optei por fazer.

Enquanto a pediatra chegava (fechamos a equipe toda humanizada), a enfermeira fez a raspagem e lá descemos para o Centro Obstétrico. No caminho eu pensava "não acredito que vou passar por isso novamente, mas não nasce! Giuseppe não desce". Faltava ele descer e ajudar na dilatação.

Chegando no Centro Obstétrico Rodrigo foi trocar de roupa. Enquanto anestesista me preparava as contrações viam contudo. Eu pedi encarecidamente pra ele esperar passar pra me furar, vai que ele aplica bem no meio de uma né?!

Aí começou meu martírio. Foi aplicar a anestesia eu comecei a passar mal, como nunca passei na minha vida. Primeiro minha pressão caiu demais, comecei a tremer que não tinha domínio algum do meu corpo. Meus braços pulavam, meu queixo batia, me faltava o ar.

Eu só conseguia dizer que apesar da anestesia eu sentia tudo (diferente da anestesia do parto do Gianlucca que eu não sentia nada!). O anestesista ficou meio bravo, dizendo que eu estava com medo, mas não era. Eu sentia mesmo. Senti colocar a sonda, por exemplo.

A pediatra segurou a minha mão, pedia que eu respirasse. Enfim autorizaram a entrada do Rodrigo na sala e tudo o que eu conseguia dizer pra ele era "me ajuda, estou passando mal". O medico fazendo a cesárea e de olho em mim. Pediu pra colocar outro soro lá, que nem sei o que era. No outro dia ele confidenciou que estava realmente preocupado comigo nesse momento.

Rodrigo pediu pra respirar fundo. E tudo o que eu sentia era cheiro de carne queimada, devido o bisturi elétrico hahaha.

Logo médico começou a dizer que ainda tinha muito líquido, que Giuseppe estava com duas circulares de cordão. Pediatra disse que ele já tinha saído e pronto, me passaram ele por baixo do pano. Ficou ali comigo, mesmo com minha tremedeira insana. Veio para o meu peito e lá mesmo Mamou. Tomou a injeção de vitamina K ali comigo, no peito e nem reclamou. (Optamos por dar a injetável mesmo por ter maior absorção).

Depois de algum tempo Rodrigo levou ele pra ser medido e pesado. Quase que aplicam colírio nele!! Se não fosse o Rodrigo lá, teria sido aplicado (fiquei brava com isso). Não foi aspirado.

Eu fiquei lá terminando a cesárea e tremendo. Quando acabou fiquei no corredor com Rodrigo e Giuseppe em cima de mim. Disse para o Rodrigo que não sabia como iria cuidar dele já que não parava de tremer e tinha dificuldade pra respirar. E Giuseppe mamando.

Fomos então para o quarto, nada de sala de recuperação. Fiquei o tempo inteiro com Giuseppe e Rodrigo conosco o tempo todo!!

Tomei remédio para dor e dormi. Nem sei quanto tempo. Acordei melhor.

E assim chegou meu segundinho. Lindo, um bezerro que mama desde seu primeiro minuto de vida.

Chegou as 5:33 da manhã, pesando 3.275kgs com 49cm e apgar 9/10. Teve alta com 3.330kg, engordou de tanto que mama.

Tivemos alta no outro dia a noite e eu saí do hospital radiante. Feliz por ter conseguido persistir tanto. Feliz por ter sido minha decisão da cesárea. Feliz por ter sido respeitada. Feliz por ter meu marido ao meu lado o tempo todo. Com o sentimento que eu poderia sim ir além e eu fui.

Meu sentimento quando saí da maternidade com o Gianlucca era de que havia acabado, a gestação enfim chegará ao fim. O sentimento que predominou na minha segunda saída da maternidade era: pronto, agora começamos a viver. Nós 4, mais completos do que nunca.

E sim, só estamos começando.