18 de jun de 2015

Sobre comunicação não violenta

Em Março rolou um evento online sobre maternagem consciente. Eu quase não consegui acompanhar pois estávamos viajando, perdi inclusive a palestra da Anna Gallafrio, e estava super na expectativa de ver.

Mas uma delas eu consegui assistir, falava sobre comunicação não violenta. Todo o encontro estava voltado para a criação com apego.

Depois dessa aula, foi lançado um mini curso sobre comunicação não violenta. Faz algum tempo, mas só consegui escrever agora sobre isso. E apesar de serem 3 videos, foi um pouco difícil de assistir, pela dificuldade de encaixar no meu dia a dia. No fim, consegui fazer e foi ótimo!

Aprendi um conceito que mudou minha maneira de ver principalmente meu filho. Engraçado que eu já sabia disso, mas foi como se uma porta se abrisse na minha frente. Olhei para o mesmo conceito que praticava, mas de maneira diferente:

"Atrás de um comportamento há sempre uma necessidade"

Sim, eu sempre busquei saber qual a razão das atitudes do Gianlucca. Mesmo pequenino eu tentava "ler" meu filho. O que ele estava precisando?!?

Mesmo assim em muitos momentos eu explodi. Principalmente com ele grande. Quando bebê eu não explodia, mas me desesperava quando não conseguia identificar o que estava acontecendo.

Ainda acontece. Algumas vezes eu viro uma granada sem o pino, mas diminuiu bastante. Um exemplo pratico:

Era um sábado quando bambino foi ao sitio com os meus pais. Foram colher feijão. Ele como sempre ajudou muito (estamos criando um workaholic mesmo sem intenção) ao final do dia estava completamente cansado. Chegou em casa próximo das 19hs dormindo. Tentei acordar, mas ele me disse que estava muito cansado. Deixei então dormir e falei para marido que se tivesse que madrugar, amém! Estaria disposta.

As 20:30 ele acordou chorando. Fui até o quarto e abracei, como sempre faço. Perguntei o que estava acontecendo, e ele não respondia. Só chorava. Fui perguntando: você está chorando porque está com fome? Ainda sono? Sua cabeça está doendo (havia batido), está doendo algum lugar? Quer colo? Quer banho? Quer sair da cama? E muitas outras calmamente.

Até que, ainda chorando, ele me disse que queria ir na casa da minha mãe. Disse que ela não estava lá, a casa estava fechada pois eles tinham ido na igreja. Mas ele continuou chorando. Fiz então o que aprendi e disse: você está triste porque dormiu no carro e não viu a sua avó sair? Ele fez que sim com a cabeça. Então eu disse: você quer ir até lá e ver que ela não está? Ele concordou.

Enrolei no cobertor e fui. Chegando lá a porta estava fechada. Fiz então um combinado. Voltaríamos pra casa, ele comeria, tomaria banho, iria ver um pouco de desenho e quando eles voltassem eu levaria ele até lá. Ele aceitou e parou de chorar.

O que eu faria em outros tempos? Abraçaria (como sempre faço, inclusive quando estou nervosa) e esperaria ele parar de chorar até ele falar o que queria. Muitas vezes ele não falava, e ficávamos nesse looping que eu classificaria até como opressor. Ele sem saber o que queria, e eu aguentando choro sem saber como resolver.

Não é fácil essa leitura! Não é fácil fazer perguntas e tentar ajudar, até porque muitas vezes eles não querem ajuda (Gianlucca muitas vezes não colabora). Mas mesmo hoje quando ele não colabora eu faço esse exercício: o que ele esta precisando? Porque esse comportamento?

No modo automático da vida não funciona. Na pressa de resolver não funciona. No estagio superior de stress também não.

Pra se conectar, criar vinculos e fusionar é preciso tempo e dedicação.

O que aprendi também é que a empatia não é se simplesmente se colocar no lugar do outro, se perguntando "o que eu faria nessa situação?". Empatia vai além disso, até porque se colocando na situação do outro automaticamente virá um conselho. Aconselhar não faz parte do processo de empatia.

Empatia primariamente é ouvir, de maneira atenta, única, de maneira que se entrega mesmo. Onde quem está falando sinta-se ouvido e compreendido.

Um exemplo onde usei empatia:

Gianlucca tem verdadeira fixação por usar gesso. Acho que o sonho dele é engessar qualquer parte do corpo, tanto que qualquer sinal de batida ele diz que vai precisar engessar (hahahah). Um dia a noite Rodrigo estava em São Paulo, eu estava terminando o jantar e quase colocando na mesa e disse para Gianlucca ir fazer xixi e lavar a mão. Lá foi ele, mas estava demorando. Chamei e quando ele voltou e estava com o braço e a mão direita "engessada" de papel higiênico. Entrei na brincadeira com ele, e disse que ele poderia comer com a outra mão.

Terminado de comer disse pra ele ir tomar banho. Ele chegou no banheiro e tirou o "gesso". Eu cheguei logo atrás e vi que tinha um pinguinho de xixi na borda do vaso. Muito inocentemente peguei o papel do chão e limpei o pinguinho e disse que ele precisava sempre fazer isso. Era o gesso minha gente. Limpei o pinguinho com o gesso!!!

Bambino chorou muito, de escorrer lágrima e tudo. Ele  me dizia que eu tinha estragado o gesso dele. Eu me desculpei e disse que faria um novo gesso com um papel novo, mas ele não queria. Foi então que eu decidi que deveria parar de falar e escutar. Escutei atentamente todos os lamentos dele, tudo o que ele tinha pra me falar. Até que ele me disse que eu não prestei atenção na brincadeira dele (forte né? e verdadeiro afinal eu não me atentei que era o gesso).

Depois que ele falou e eu atentamente escutei, me desculpei mais uma vez e perguntei como eu poderia arrumar o meu descuido: ele disse então que eu poderia secar o papel. Foi o que fiz. E mesmo pensando que ele colocaria um papel com respingo de xixi (ai ai) eu vi que isso não era o mais importante. No fim mesmo com o papel seco ele não voltou a usar o gesso. E nos resolvemos :-))

Novamente, no modo automático da vida não funciona. Na pressa de resolver não funciona. No estagio superior de stress também não.

Pra se conectar, criar vinculos e fusionar é preciso tempo e dedicação.

Gianlucca está demandando muita atenção. Muita! Voltei a época da minha vida que tenho companhia até no banheiro. Nessas horas que me faltam 5 minutos de individualidade eu respiro e digo pra mim mesma: ele não vai ter 4 anos sempre, vai chegar a época que ele não vai me querer tão perto assim. Aí eu abraço e faço meu melhor. Sempre.

6 comentários:

  1. Nao é facil mesmo entender as crianças..mas vc esta se saindo mto bem e me ajudou com otimas dicas ...bjo

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    1. Oi Nise

      Deveríamos vir equipadas com bola de cristal hahahaha.
      Que bom que pude ajudar, gosto muito de compartilhar. Bjs

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  2. A arte de educar... ai que missão difícil neh... tenho tanto medo que nem fico pensando muito nisso...

    Mas nas situações citadas, você agiu da melhor forma mesmo...

    Bjos!
    Ly
    http://nossosdiasnossaespera.blogspot.com.br

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    1. Oi Ly, uma fase por vez, não se desespere. Sempre da certo hahaha.
      Bjs!!

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  3. Adoro muito seus textos e o modo como escreve, pois você coloca nos seus posts sobre maternidade aquilo que eu acredito que deve ser feito e espero que eu consiga ter essa paciência e sabedoria para ler a minha filha, sei que não será fácil mas não custa nada tentar, afinal eles não serão crianças para sempre.

    beijos -- decidisermamae.blogspot.com.br

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    1. Oi Mika

      Fico feliz de poder compartilhar! Sabe que não é fácil mesmo. Eu sempre fui uma pessoa paciente com a vida, mas tem horas que preciso respirar muito fundo, pois a vontade era voltar ele pra dentro da barriga hahahah. Mas depois passa. Sempre penso que estou mais do que sendo mãe, estou moldando a maneira que ele vai se relacionar com o mundo e determinar como ele será pai, quero que ele seja um adulta responsável e amoroso, pois precisamos disso.
      Nós vamos conseguir!! Bjs

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