20 de nov de 2014

Entardecer

Gianlucca nasceu em uma segunda-feira. Chegamos em casa na quarta-feira, mas algo não estava bem.

Todo entardecer era difícil. Era como se o sol fosse embora e me levasse com ele. Uma tristeza vinha devagarinho e cada dia ficava mais um pouquinho.

De repente me vi sem vontade de conversar com o Gianlucca, cuidava dele em silêncio. Era mais forte do que eu.

Na consulta de retorno ao obstetra, disse o que estava acontecendo ao querido Dr André. Estava sozinha no consultório com o bambino. Eu estava com baby-blues. E sempre ao entardecer.

A recomendação foi que eu deveria observar, me ajudar conversando com o bambino (eu realmente ficava em silêncio quase o dia todo) e que focasse na amamentação que ajuda na redução do útero e na regularização dos hormônios (foi então que comecei a praticar livre demanda sem nunca ter ouvido falar dela). Se não melhorasse em 15 dias eu deveria voltar para ver os próximos passos. Baby-blues que não passa rápido corre o risco de depressão, segundo Dr André. Eu acredito porque o negócio é punk.

Não precisei voltar, graças a Deus. Logo estava tagarelando com bambino e amando cada dia mais. Pois no começo não foi amor a primeira vista não.

Eu tenho minha teoria porque tive baby-blues: hormônios em surto, a via de parto (como não entrei em trabalho de parto me faltou a ocitocina na doses que eu precisava), internação no hospital (depois que surtei na retirada do DIU mais de 2 anos ao parto que foi que eu entendi) e o tratamento sem respeito que tive da enfermeira quando não consegui amamentar na madrugada.

Dia desses chegando do trabalho e olhando aquele sol indo embora no horizonte vermelho eu me lembrei - e senti - da tristeza que vinha me visitar. E meu coração gelou.

Reviver aqueles momentos me elucidou do caminho que andei durante esse processo de entrega a maternidade. Entrega.

O que me fez refletir, porque é difícil se entregar? Não só aos filhos, mas a Cristo, a rotina, ao amor ou ao desamor? Seria o medo da dependência?

Cada amanhecer é uma oportunidade que Deus nos dá de nos entregarmos. A Ele, aos filhos que ele nos deu, a vida bem vivida, aos sonhos plantados no coração.

Adversidades são partes da vida. Nela que crescemos, criamos forças, conhecemos mais de nós e de Deus. Mas que elas não nos tornem amargos, murmuradores e desacreditados das pessoas.

Minha postura contra baby-blues me ajudou a sair dele. Esse entardecer que me lembrou esse momento, me fez também lembrar que as coisas passam, mas a postura adquirida fica.

Bom final de semana.


4 comentários:

  1. Muito bom Maira, adorei o post...
    que bom que você melhorou...
    bjks

    querosermami.blogspot.com.br

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    1. Oi Fê, passou rapidinho depois que eu descobri. Mas no segundo round eu tenho como identificar rapidinho :-))) bjs

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  2. Sempre que leio os teus posts sou invadida por sentimentos bons!!! Vejo Deus através das suas palavras... elas expressam a presença dele em sua vida!!!! Louvo a ele por tua vida!!!! Que o Senhor continue dirigindo os seus passos e guiando os seus caminhos!!!! Bjos!!!!

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    1. Oi Lyanna
      Sabe que você é uma querida que tive a felicidade de encontrar nesse mundo virtual. Sorri e chorei com você de maneira completamente natural, por amor. E ao final estavamos vivendo aquilo que Cristo nos ensinou.

      Que Deus nos guie sempre no amor. Bjs!!

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