13 de jan de 2015

Essa tal felicidade que insiste em ser sazonal

Depois que bambino nasceu eu fiquei muito tempo sem menstruar. Pois logo após meu 1º ciclo pós parida eu coloquei Mirena e isso bloqueou os meus ciclos.
Desde que tirei, as coisas voltaram ao normal, dentro do que era normal. Ciclos longos, dores nos seios e TPM.

A minha TPM vem acompanhada de um quadro leve - digamos assim - de momentos down (um pouco de melancolia). E nesses dias o bicho pega! Porque nada vira tudo, os kilometros ficam longos e mais longos, o cansaço fica gigante! O saco cheio fica tão pequeno.

Dias desses nessa fase incrível de vida :-/// eu fiquei pensando que ando muito triste. Que antes eu não era assim e onde me perdi no caminho da felicidade (ok, super down).

E Deus é tão perfeito que tudo relacionado a felicidade começou a pipocar na minha frente. Li artigos ótimos, passagens bíblicas memoráveis e tudo relacionado a isso.

E nada desse papo que a felicidade é o caminho, e não destino (apesar da verdade absoluta que essa frase é). Foram coisas mais profundas.

Hoje todos são obrigados a serem felizes. É a tal da ditadura da felicidade, que começou com as redes sociais, onde se mostra somente o bom e o belo. Não é permitido ao ser humano ser infeliz, sequer por alguns momentos (não sei de onde isso surgiu, mas OK). E isso nos traz infelicidade, pois não é possível ser feliz o tempo todo. Vejo ironia nesse processo, a felicidade completa nos torna infelizes.

A busca por essa felicidade constante gera dois problemas: primeiro o aumento do uso de drogas para sempre estar bem, os antidepressivos da vida. E o mais triste disso, isso tem afetado inclusive as crianças!! Surge aqui a famosa medicalização, tudo se tornou patologia. E coloco algo que li que representa muito bem: "A medicalização é um sintona de uma sociedade que vive muito em função do prazer pelo prazer, não tolera e não suporta o sofrimento, não sabe lidar" diz Loiva Maria de Boni, mestre em psicologia social pela UFRS. (fonte matéria UOL).
O segundo problema, a crise que é a grande motivadora de reflexões e assim combustível de mudança, deixou de existir na nossa vida. A batalha, seja ela qual for, que nos faz amadurecer, crescer, evoluir e ajudar aos outros com nossa experiencia.

Um exemplo que gosto muito sobre a infelicidade é de Ester. Não há como me esquecer da minha primeira bíblia que minha mãe me deu quando aprendi a ler, lá tinha a historinha (que é na verdade um história gigante!) da corasoja rainha Ester.
Éster uma jovem bonita, que perdeu pai e mãe. A bíblia não entra em detalhes do que houve para que ambos morressem, mas eu não consigo dimensionar essa dor.

Seria Ester feliz?!? Eu duvido. Só por isso eu realmente duvido que ela viveu esses momentos com um sorriso aberto, que não se permitiu o luto e viver um pouco infeliz.

Não bastasse isso, ela foi "selecionada" para concorrer a vaga de rainha. Passou 1 ano se cuidado para impressionar o rei. Praticamente uma mercadoria. Mas ela era mais do que isso! Ela era corasoja!!
Por instrução do homem que a criou, ela não revelou sua origem, que era uma judia. Mas pera aí, cadê a coragem?!? Renegou ao seu povo?
Ester foi então a selecionada, e se tornou rainha. Mesmo assim manteve o silêncio sobre sua origem.
Quando seu povo corria risco, ela se arriscou por eles! Arriscou agora o seu bem estar físico, seu status social e tudo o mais que isso envolvia, afinal ela era uma rainha. E pediu ajuda ao rei, que a amava tanto que creio que nem se atentou ao seu silencio inicial e a ajudou.

Coloco-me então no lugar da minha querida Ester. Além de perder os pais, como eu me sentiria tirada do meu lugar, do meu povo para ficar 1 ano trancada me "purificando" (como diz a bíblia) para um homem que eu sequer conhecia? Sendo tratada como algo passível de escolha? E se não desse certo e não fosse a escolhida? E porque eu tenho que ser escolhida e ambos não podemos nos escolher? E ficar calada sobre quem eu sou? Juro, não seria nada feliz!

E saindo dessa história, e quantas e quantas outras que aconteceram e ainda acontece e não sabemos?

E se analisar a vida de Davi? Jesuiiss oh homem pra sofrer!

Realmente não precisamos estar bem todos os dias, como se estivéssemos acabado de saber do nosso amado positivo, ou que ganhou um carro novo. Ou então como se o marido tivesse feito o jantar, limpado a casa, lavado e passado a roupa enquanto você passou o dia no SPA? (estou aceitando essa ultima viu :-))

Não! Depois do tanto que refleti sobre o tema, resolvi que vou me permitir ser infeliz de vez em quando! E não vou ao psiquiatra não!

Certa vez eu estava bem brava com a vida. E em casa Gianlucca me perguntou se eu estava feliz e eu fui muito sincera, disse que naquele dia eu não estava não. Que bom que fui honesta, sem refletir sobre o tema eu mostrei ao meu filho que a infelicidade existe, e ela faz parte da vida.

Se a infelicidade fizer de ti um murmurador e rancoroso eu não te desejo não. Mas se você faz parte do time que faz de um limão uma limonada, que acredita nos propósitos de Deus e caminha mesmo não vendo caminho, eu desejo boa infelicidade a todos nós. E que ela nos traga ensinamentos, reflexões e nos aproxime mais e mais de Deus.

PS - Sim, existem quadros depressivos que necessitam de intervenção com medicamentos e terapia. Não me refiro a isso. Esses casos é mandatório que sejam tratados. O que me motivou a escrever sobre isso é a banalização, que hoje existe. O que me fez pensar que o eu estava sentindo era patológico, quando na verdade só sou eu vivendo.

Hugs

4 comentários:

  1. Maira como sempre mais uma brilhante reflexão!!!! Que bom que você compreendeu que as vezes precisamos nos permitir viver momentos de infelicidade. A tristeza momentânea realmente não necessita ser tratada com medicamentos. As crises como você mesma colocou nos impulsiona a mudanças que fazem a nossa vida ganhar sentido. Que Deus te carregue sempre em seu colo nos momentos de crise e elas sejam sempre superadas com a sua ajuda!!!! Bjos!!!!

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    1. Oi Lyanna!

      Amém! Que Deus me ajude a caminhar pelos vales e que me inspire a ser melhor! Bjs enormes em vocês três!

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  2. Fantástico. Como psicóloga vejo todos os dias as pessoas implorando para não sofrer, não sentir dor, não mergulhar em reflexão. A tristeza é como freio, nos permite parar e reanalisar tudo. Nosso corpo não aguentaria estado eterno de euforia.
    A minha TPM também faz isso comigo, kkkkk...Choro vendo frentistas trabalhando no posto...kkkk
    Essa semana tá bem difícil para mim, chorando todos os dias, mas creio que meu Senhor tem algo grande para mim, e preciso me colocar à Sua disposição.

    http://projetonossobebe.blogspot.com.br/

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    1. Oi Pvzinha
      Que incrível que você é psicóloga!! Amei hahaha
      É mesmo uma "mania" que isso está virando!
      E sobre a choradeira, me abraça!! Estamos do mesmo modo, nos entendemos hahahaha.
      Fica firme, e chora mesmo, pois alivia a alma. Eu mesma na sexta-feira, após a dificuldade diária do Gianlucca dormir, eu desabei e chorei chorei e chorei. Dormi até melhor :-)

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